Santo Amaro (Funchal)
A paróquia de Santo Amaro foi criada por D. frei David de Sousa (1911-2006), desmembrando-a da de Santo António, por decreto publicado a 24 de novembro de 1960, entrando em vigor a partir de 01 de janeiro de 1961. A sede provisória foi a antiga capela de Santo Amaro, situado no Caminho de Santo Amaro, construída sobre uma outra, conhecida por capela da Madre Deus e, essa, uma das primeiras capelas a ser edificadas na Ilha da Madeira, em terrenos que haviam sido de Garcia Homem de Sousa, genro de João Gonçalves Zarco (c. 1390-1471), primeiro capitão donatário do Funchal, por haver casado com Catarina Gonçalves da Câmara. A sede da paróquia foi nesta capela desde 1961 e até inícios da década de 1980, altura em que foi construído a cripta (salão) onde hoje é o salão paroquial, junto à atual igreja paroquial, tendo depois a antiga capela sido alvo de um incêndio, em 1989 e estando hoje, restaurada, mas sem culto e sob a tutela da DRC, integrada no Núcleo Museológico da Torre do Capitão.
Santo Amaro ou Santo Amaro Abade é um santo católico ligado às peregrinações e a São Bento de Núrcia (c. 480-547), de que teria sido seguidor e que se celebra a 15 de janeiro. A sua mais antiga hagiografia encontra-se copiada no códice alcobacense 266, pelo monge Hilário da Lourinhã, nos meados do século XIV, demonstrando a grande voga que teria tido na Península Ibérica. Acresce que é uma devoção quase que exclusivamente ibérica e das suas áreas de expansão ultramarina, como Cabo Verde e Brasil. Representa-se em hábito beneditino, ou seja negro, embora com variantes, com um livro, símbolo da sabedoria e bordão de peregrino ou báculo episcopal, tal como coroado por mitra ou com a mesma a seus pés, indicativo de a ter recusado.
Na Madeira a sua data é marcada pelo «varrer os armários», existindo a tradição de na noite de 14 para 15 de janeiro, as pessoas se juntarem para andar de casa em casa, tocando, cantando e comendo as iguarias que sobram do Natal, pondo assim um ponto final à quadra festiva, tal como, ao mesmo tempo, limparem o que ficou dos anos anteriores e que já não interessa. A devoção encontra-se na Madeira quase desde o início do povoamento, com iniciais capelas no Paul do Mar, Santa Cruz e Santo Amaro, nas cercanias do Funchal. Santo Amaro é o padroeiro das paróquias do Paul do Mar e de Santo Amaro do Funchal, paróquia desmembrada da inicial freguesia de Santo António.

