Palestina

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O espaço geográfico (aproximadamente) a que hoje se chama Palestina foi visitada por Heródoto por volta de 450 a.C.
Foi Heródoto que pela primeira vez (de que há conhecimento) chamou nos seus escrito Síria Palestina (Síria Filistina) ao território. Filistina por ser habitada por um povo chamado Filisteus (romanizado para “plishtim”) que ocupou a costa sudoeste de Canaã, com o seu território nomeado como Filístia posteriormente. Apesar dos Filisteus terem adotado a língua e a cultura local (cananeia) antes de deixarem quaisquer textos escritos (e posteriormente adotarem a língua Aramaica), uma origem indo-europeia tem sido sugerida para um grande número de palavras filisteias conhecidas que sobreviveram como estrangeirismos em hebraico. Os filisteus terão derrotado os israelitas porque sabiam trabalhar o ferro o que lhe dava vantagens na guerra.
A origem do povo Filisteu é, ainda hoje, objecto de acesas controvérsias, até mesmo sobre o facto de se tratar de um único povo ou de uma confederação de povos que migraram, do Mar Egeu para o leste do Mar Mediterrâneo, no século XIII a.C. Se acreditarmos na bíblia, os filisteus teriam tido origem em Casluim, o qual teria sido um dos filhos de Mizraim, patriarca dos egípcios, e neto de Cam.
Os filisteus migraram para o Egipto e foram derrotados pelos egípcios sob o comando de Ramsés III. Por isso terão sido obrigados a ir buscar terras mais a leste, na região costeira onde era Canaã. Lá, fundaram cinco cidades: Asdode, Ascalão, Ecrom, Gaza e, a maior delas, Gate. Durante o tempo que lá viveram, quase sempre, estiveram em guerra com seus inimigos hebreus; dos quais, aliás, são oriundas a maioria das informações que se conhecem sobre aquele povo.
Os filisteus, sendo de origem indo-europeia, possuíam uma cultura e costumes bem diversos dos demais povos da região. O costume filisteu de comer porcos e de não realizar a circuncisão, por exemplo, em muito deve ter contribuído para as opiniões negativas dos hebreus sobre eles. Ambos os povos foram, porém, eclipsados (em período posterior) pelo expansionismo guerreiro do Império Neobabilônico. Embora a federação de povos denominada Filisteus tenha perdido a sua autonomia no século X a.C., sob hegemonia egípcia, e definitivamente após a conquista pelo Império Neoassírio em 722 a.C. Nabucodonosor II devastou o território filisteu em 604 a.C. e, como o resto do Oriente Médio, caiu nas mãos do império de Alexandre, o Grande no século IV a.C..
Naquele tempo, julga-se que os filisteus já haviam perdido grande parte de sua identidade cultural. No entanto, o termo “Peleset” e, mais tarde, as versões grega (Παλαιστινή, Palaistinḗ) e latina (Palæstina) continuaram a ser usadas como um termo geográfico, referindo-se a uma área cada vez mais extensa do território onde se haviam instalado (ver imagem).
Vejamos um pequeno resumo das desventuras históricas do povo da Palestina (palestinianos e judeus):
Ano 333 a.C., o rei da Macedônia Alexandre, o Grande derrotou o rei persa Dario III na Batalha de Isso ̶ integração da Palestina no império de Alexandre. Com a morte de Alexandre, em 323 a.C., os seus generais disputaram entre si o domínio do império. A Palestina e a Síria caíram sob o controlo de um desses generais, Ptolomeu, que formou um reino independente, no Egipto.
Na Batalha de Ipso (301 a.C.), na Frígia, uma coligação de antigos generais de Alexandre derrotou Antígono Monoftalmo (outro general de Alexandre), que se preparava para reunificar o império.
Ptolomeu chegou tarde à batalha e deu um pretexto a Seleuco I Nicátor para contestar a sua dominação sobre a Síria, iniciando, assim, as Guerras Sírias que só se resolveram, por volta de 200 a.C., quando a Palestina passou para o controlo selêucida. Até ao reinado de Antíoco IV Epifânio (175 a.C. – 164 a.C.), sabe-se pouco sobre a Palestina. Em 189 a.C. o reino selêucida perdeu a guerra contra Roma e, para além da perda do território, viu-se obrigado a pagar, anualmente, 15 mil talentos aos Romanos. Heliodoro, um dos ministros do rei Seleuco IV Filopátor, querendo arranjar fundos para pagar a dívida, tentou apoderar-se do tesouro do segundo Templo de Jerusalém. Entretanto, a cultura e os modelos de vida gregos difundiram-se pela Palestina. Alguns membros da elite judaica sentiam-se atraídos pela cultura grega e desejavam uma integração nesse mundo. Em 175 a.C., o sumo sacerdote Jasão obteve a autorização (de Antíoco IV Epifânio) para transformar Jerusalém numa cidade helénica, o que incluiu a fundação de um ginásio, onde os jovens se exercitavam nus. Essas medidas pareceram excessivas a alguns judeus que as contestaram. Em resposta a esta contestação, Antíoco tomou medidas que visavam impor de forma coerciva o helenismo. Os judeus passaram a ser obrigados a fazer sacrifícios em nome dos deuses pagãos e proibidos de praticar a circuncisão e de observar o Sabath.
O Templo de Jerusalém foi profanado (em 168 a.C.) com a instalação de uma estátua de Zeus. Liderados pelo sacerdote Matatias e os seus cinco filhos Judas, Eleazar, Simão, João e Jónatas, os judeus contestatários fugiram para as montanhas onde organizaram a resistência. Em 166ª.C., morreu Matatias e sucedeu-lhe o seu filho Judas Macabeu. No ano 164 a.C., Judas Macabeu conquista o templo de Jerusalém. Judas morreu numa batalha contra os Sírios e foi sucedido pelo irmão Jónatas, depois assassinado em 142 a.C.. Sucedeu-lhe o seu irmão Simão Macabeu que também foi assassinado. Na sequencia deste último acontecimento, subiu ao poder o 3.º filho de Simão, João Hircano que teve um longo reinado e trouxe prosperidade e expansão territorial ao seu povo. Conquistou Siquém, capital dos samaritanos (tendo destruído o templo destes, situado no monte Gerizim) e o território da Idumeia (Edom), onde impôs o judaísmo aos seus habitantes.
Um dos descendentes de João Hircano, Alexandre Janeu, alargou o domínio dos asmoneus para a área a este do rio Jordão, tendo sido um inimigo do partido farisaico. A sua viúva, a rainha Salomé Alexandra, que governou entre 76 e 67 a.C., inverteu essa política. Os seus dois filhos Aristóbulo II e Hircano II disputaram o poder. Os dois irmãos apelaram ao general romano Pompeu para que mediasse o conflito; por esta altura, os Romanos já tinham conquistado o reino selêucida. Pompeu nomeou Hicarno II sumo sacerdote, mas não lhe concedeu o título de rei. O estado judaico deixou de ser independente, pagando tributo a Roma e estando obrigado a apoiar as suas acções militares. Pompeu fez de um idumeu (natural da Idumeia), Antípatro, governador militar. Este, por sua vez, nomeou dois dos seus filhos, Fasael e Herodes (lembram-se?), como governadores da Judeia e da Galileia. Em 40 a.C. os partas invadem o Oriente Médio, prendem Hicarno II e Fasael e fazem de Antígono (filho de Aristóbulo) sumo sacerdote e rei.
Herodes fugiu para Roma e regressou à Palestina em 39 a.C. e, com a ajuda das tropas romanas, conseguiu tomar Jerusalém.
Em 324 d.C. Constantino restabelece a unidade do Império Romano, após derrotar Licínio. O imperador fez de Bizâncio a sua nova capital, mudando-lhe o nome para Constantinopla. Com ele, abre-se um período de prosperidade para a Palestina.
(José Júlio de castro Fernandes out. 2023)

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