Zorra de transporte de boca-de-fogo, 1800 (c.), Núcleo de História Militar Manuel Coelho Baptista de Lima, Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores
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Descrição
Zorra de transporte de boca-de-fogo.
Ferro fundido de arsenal inglês montado em zorra de madeira com rodados de ferro, 1800 (c.)
Boca-de-fogo naval inglesa de ferro fundido, 1780 a 1800 (c.)
Fotografia de 14 de julho de 2023
I Colóquio Internacional do Património e Turismo Militar, organizado pelo TECHN&ART – Centro de Tecnologia, Restauro e Valorização das Artes, do Instituto Politécnico de Tomar (IPT), e o Museu de Angra do Heroísmo (MAH), com o apoio do Município Angrense
Antiga capela e Hospital Militar da Boa Nova, Núcleo de História Militar Manuel Coelho Baptista de Lima,
Rua da Boa Nova, Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores.
As antigas fortalezas costeiras das ilhas e costas do Atlântico, mas também do Índico e do Pacífico, encontram-se hoje equipadas/decoradas com bocas-de-fogo de ferro navais inglesas provenientes das praias próximas, na ordem de muitos, mesmo milhares de exemplares. Primeiro, porque as de bronze, sendo de material reciclável, só pontualmente chegaram aos nossos dias, depois, porque pelas ordenanças navais inglesas, as bocas de fogo de ferro que atingissem 300 disparos efetuados, deveriam ser obrigatoriamente lançadas na primeira praia onde o navio varasse, essencialmente, por questões de segurança, pois que os acidentes eram mortais para as guarnições e, também, por não serem recicláveis.
O Antigo Hospital Militar da Boa Nova é uma estrutura construída de raiz com esta finalidade, nos inícios do século XVII, no tempo da União Dinástica, de 1615 (c.), situado à ilharga da imponente fortaleza filipina, conhecida vulgarmente por Castelo de São João Baptista e, então, de São Filipe.
O Núcleo de História Militar Manuel Coelho Baptista de Lima (1920-1996), instalado no antigo Hospital Militar da Boa Nova, acolhe a notável Coleção de Militária do Museu de Angra do Heroísmo, sendo o único museu português não integrado no Ministério da Defesa subordinado a esta temática, em que estão representados os três ramos das Forças Armadas nacionais e estrangeiras. Anteriormente repartida por vários núcleos e reservas, dado a diversidade, volume e quantidade das peças que a constituem, esta coleção é trazida ao público através de três exposições temáticas de longa duração, que, a par de uma explanação da evolução e funcionalidade das armas e de um convite à reflexão sobre as grandes questões éticas, morais e sociais inerentes aos conflitos bélicos, documentam a personalidade e vivências pessoais do patrono e a história do próprio edifício. Composto por peças de artilharia ligeira e pesada, armas de fogo, armas brancas, proteções metálicas, projéteis, equipamento de logística, arreios, uniformes e condecorações, este acervo, na sua maior parte acomodado em reservas concebidas em obediência à tipologia dos diferentes materiais, reflete o interesse pela área militar e o espírito colecionista do primeiro diretor do Museu de Angra do Heroísmo, Manuel Coelho Baptista de Lima, que, durante mais de três décadas, garantiu por várias vias o seu enriquecimento.