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Arquipelago de Origem:
Lisboa (cidade)
Data da Peça:
1984-00-00
Data de Publicação:
10/04/2026
Autor:
Paula Rego
Chegada ao Arquipélago:
2026-04-10
Proprietário da Peça:
Fundação Gulbenkian
Proprietário da Imagem:
Fundação Gulbenkian
Autor da Imagem:
Fundação Gulbenkian
Vivian Girls as Windmills, acrílico de Paula Rego, Londres, 1984, CAM da Fundação Gulbenkian, Lisboa, Portugal

Categorias
    Descrição
    Vivian Girls as Windmills,
    As Raparigas Vivian como Moinhos de Vento
    Acrílico sobre tela, 242 x 179 cm.
    Paula Rego (1935-2022), 1984.
    O primeiro contacto de Paula Rego com as Vivian Girls ocorreu numa exposição em 1979, em Londres. Os desenhos ilustrados do romance de início do século XX de Henry Darger (1892-1973), The Realms of the Unreal, fascinaram-na de tal forma que decidiu pintar várias cenas da vida dessas personagens. A saga conta-nos as várias façanhas de um bando de raparigas que consegue dar a volta a soldados malvados. Paula Rego diz que as raparigas Vivian foram escravizadas pelo mundo adulto mas conseguiram lutar em sua defesa: "são as heroínas e as escravas das minhas histórias".
    Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian (86P589), Lisboa, Portugal.

    Tendo estudado em Londres, Paula Figueiroa Rego (Lisboa, 26 jan. 1935; Londres, 8 jun. 2022) tomou muito cedo conhecimento de certos movimentos de síntese surgidos após o informalismo. A génese da nova figuração da Paula derivou do informalismo e mediante a extraordinária capacidade de livre associação de imagens. No início dos anos 60, o expressionismo e o surrealismo deram à pintora uma distanciação em relação à escrita frígida da pop, movimento que lhe interessou, porém, pela fixação do novo ambiente urbano e pela reintrodução da narratividade. A sua temática mais frequente relaciona-se com a vida infantil, com os seus terrores, crueldades, fantasias e humor (Pedro Dias, 1986).
    Na década de 80 a artista encontra uma linguagem visual radicalmente nova para contar as suas histórias, criando um universo ambíguo e complexo de interação entre humanos, animais, vegetais e híbridos. Estas criaturas encantadas são os atores deste caleidoscópico de aventuras luxuriantes, onde impera a desordem. As obras são realizadas numa escala panorâmica e multidimensional, através de um processo criativo rápido, contínuo e fluido, num equilíbrio entre a multiplicidade de personagens e de subenredos e a totalidade da composição. O seu traço não apresenta hesitações e as personagens, humanas e animais, são fisionomicamente intuídas pelo seu preciso sentido de observação. É como diz Paula Rego: são bichos que parecem pessoas e pessoas que parecem bichos- dizendo não saber o que vem primeiro. O desenho puxa o boneco e, assim, os desenhos vão aparecendo no pincel… começo com um gesto, o resto do bicho vem atrás. Uma parte destes trabalhos esteve exposto em 2017 na Casa das História de Paula Rego, em Cascais.