Image
Arquipelago de Origem:
São Paulo (Brasil)
Data da Peça:
1890-00-00
Data de Publicação:
30/04/2021
Autor:
Escultor Yoruba (atr.)
Chegada ao Arquipélago:
2021-04-30
Proprietário da Peça:
Museu Afro Brasil
Proprietário da Imagem:
Privado/Museu Afro Brasil
Autor da Imagem:
Privado
Vitrina das figuras gémeas Ibeji ou Ere Ibeji, Yoruba, 1890 (?), Nigéria, Museu Afro Brasil. Um conceito em perspetiva, curadoria de Emanoel Araújo, São Paulo, Brasil,

Categorias
    Descrição
    Gémeos Ibeji ou Ere Ibeji.
    Madeira esculpida, patinada e pintada com missangas e cauris, 46,5 x 14,5 x 10 e 48 x 14 x 10 cm.
    Escultor Yoruba, 1890 (?), Nigéria.
    Museu Afro Brasil. Um conceito em perspetiva, módulo o sagrado e o profano, museu com curadoria de Emanoel Alves de Araújo (Bahia, 1940-) inaugurado a 23 de outubro de 2004 pelo presidente Lula da Silva.
    Fotografia de 2017
    Avenida Pedro Álvares Cabral, Portão 10, Parque Ibirapuera, São Paulo, Brasil.

    Ibeji é a divindade gêmea da vida, protetora na mitologia Ioruba, na Nigéria. O primeiro gêmeo é Taiwo e o segundo, Kehinde, acreditando-se que era Kehinde, muitas vezes o feminino, quem mandava Taiwo supervisionar o mundo, donde a hipótese de ser aquele o irmão ou a irmã mais velha.
    Os Yorubá vivem principalmente na Nigéria, mas também no Benim e no Togo. Esse povo possui uma das mais altas incidências de nascimento de gêmeos do mundo (nasce um par de gêmeos a cada 11 crianças), um fenômeno atribuído a fatores genéticos Entre eles, os gêmeos são tidos como seres extraordinários, protegidos por Xangô, divindade dos raios e trovões, conhecido no Brasil também como o Orixá da Justiça. Em algumas regiões da Nigéria e Benim, os Yorubá acreditam que os gêmeos são responsáveis por trazer riqueza às suas famílias, desde que sejam homenageados. Por outro lado, esses mesmos gêmeos podem levar os seus familiares à pobreza quando ofendidos ou negligenciados. Por isso, é bastante comum que os pais de gêmeos dediquem aos irmãos bastante atenção e, constantemente, lhes ofereçam presentes, músicas, danças e alimentos especiais. Os gêmeos, por se sentirem muito ligados, pressentem o sofrimento ou alegria um do outro, mesmo que distantes fisicamente. Por isso, acredita-se que possuem a mesma alma. Quando um dos gêmeos morre, ele é honrado com a produção de uma escultura humana em madeira conhecida com o Ibeji. Se os dois morrem, ambos são honrados com um par de esculturas. Consequentemente, essas esculturas podem ser concebidas como esculturas únicas ou em pares, conforme a circunstância que levou à sua criação. É o escultor quem determina as características formais da obra a partir das tradições artísticas dos Yorubá. No caso específico dos ibeji a sua estatueta quase sempre apresenta braços paralelos ao corpo cujas mãos podem ou não ser arqueadas. Outro aspecto estilístico recorrente é a figuração dos olhos com pupilas vazadas. Depois de pronta, a estatueta receberá os cuidados da mãe ou do irmão que está vivo, que envolvem dar banho, enfeitá-la, bem como oferecer alimentos, mantendo viva a memória do falecido entre seus familiares. Pub. in África em Artes, Juliana Ribeiro da Silva Bevilacqua e Renato de Araújo da Silva, São Paulo, Museu Afro Brasil, 2016, Brasil, p. 20.