Vista geral do Estreito de Câmara de Lobos com os seus vinhedos, 2020 (c.), ilha da Madeira.
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Descrição
Vista geral do Estreito de Câmara de Lobos e dos seus vinhedos.
Fotografia de Nelson Veríssimo, 2020 (c.)
Estreito de Câmara de Lobos, ilha da Madeira.
Gaspar Frutuoso, em 1584, referiu o Estreito de Câmara de Lobos como uma freguesia onde se produzia muita castanha, noz, peros «de toda a sorte muito doces», vinho e se criava gado.
As terras do Estreito distinguem-se pelas diversas tonalidades que, durante o ano, as vinhas vão adquirindo. Hoje a paisagem vitícola foi invadida por prédios, denotando-se deficiente gestão territorial. Ainda assim, a cultura da vinha, para produção do vinho da Madeira, constitui importante atividade agrícola. Segundo o Recenseamento Agrícola de 2019, havia 12 350 ares de cultura permanente de vinha e 2170 de frutos subtropicais, sendo a freguesia com a maior área vitícola da Região. Contudo, em 2009, eram 14 391 ares de vinha e 846 de cultura permanente de frutos subtropicais. Algumas gerações mais novas não se mostram interessadas na continuação das vinhas ou bananais dos pais, e até velhos agricultores vão desistindo da lavoura, pela falta de mão-de-obra e o fraco rendimento da produção. O crescimento do negócio imobiliário, associado à premente procura de habitação, dá origem a propostas aliciantes para venda de terrenos agrícolas e ocupação dos poios por blocos residenciais. A área vinhateira da freguesia tem, por conseguinte, vindo a diminuir.
Esta freguesia promove, em setembro de cada ano, a Festa das Vindimas. Realizou-se, pela primeira vez, em 1963, sendo então uma iniciativa da Delegação de Turismo da Madeira. A partir de 1991, passou a ser um evento do calendário das festividades da localidade. Para além da recriação da vindima e da pisa e repisa das uvas no lagar, constitui um tempo de animação e diversão, tendo a tradição como pano de fundo.
Foi no Estreito de Câmara de Lobos que se introduziu a espetada na restauração, como especialidade gastronómica madeirense. Anteriormente, era preparada e consumida nos arraiais. Em meados dos anos 50 do século XX, Francisco da Silva Freitas fundou o primeiro restaurante de espetadas na Madeira, denominado «As Vides» pela primeira clientela, porque o braseiro, onde se assava a carne, era feito com vides, guardadas e secas após a poda das parreiras.
Nelson Veríssimo, “Freguesias da Madeira: Estreito de Câmara de Lobos”, Funchal Notícias.net, 23 de novembro de 2025.