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Arquipelago de Origem:
Estreito da Calheta
Data da Peça:
2020-00-00
Data de Publicação:
Autor:
Mestres locais
Chegada ao Arquipélago:
2025-11-28
Proprietário da Peça:
Vários
Proprietário da Imagem:
Nelson Veríssimo
Autor da Imagem:
Nelson Veríssimo
Vista geral do Estreito de Câmara de Lobos, 2020 (c.), ilha da Madeira.

Categorias
    Descrição
    Vista geral do Estreito de Câmara de Lobos.
    Fotografia de Nelson Veríssimo, 2020 (c.)
    Estreito de Câmara de Lobos, ilha da Madeira.

    Gaspar Frutuoso, em 1584, referiu o Estreito de Câmara de Lobos como uma freguesia onde se produzia muita castanha, noz, peros «de toda a sorte muito doces», vinho e se criava gado.
    As terras do Estreito distinguem-se pelas diversas tonalidades que, durante o ano, as vinhas vão adquirindo. Hoje a paisagem vitícola foi invadida por prédios, denotando-se deficiente gestão territorial. Ainda assim, a cultura da vinha, para produção do vinho da Madeira, constitui importante atividade agrícola. Segundo o Recenseamento Agrícola de 2019, havia 12 350 ares de cultura permanente de vinha e 2170 de frutos subtropicais, sendo a freguesia com a maior área vitícola da Região. Contudo, em 2009, eram 14 391 ares de vinha e 846 de cultura permanente de frutos subtropicais. Algumas gerações mais novas não se mostram interessadas na continuação das vinhas ou bananais dos pais, e até velhos agricultores vão desistindo da lavoura, pela falta de mão-de-obra e o fraco rendimento da produção. O crescimento do negócio imobiliário, associado à premente procura de habitação, dá origem a propostas aliciantes para venda de terrenos agrícolas e ocupação dos poios por blocos residenciais. A área vinhateira da freguesia tem, por conseguinte, vindo a diminuir.
    Esta freguesia promove, em setembro de cada ano, a Festa das Vindimas. Realizou-se, pela primeira vez, em 1963, sendo então uma iniciativa da Delegação de Turismo da Madeira. A partir de 1991, passou a ser um evento do calendário das festividades da localidade. Para além da recriação da vindima e da pisa e repisa das uvas no lagar, constitui um tempo de animação e diversão, tendo a tradição como pano de fundo.
    Foi no Estreito de Câmara de Lobos que se introduziu a espetada na restauração, como especialidade gastronómica madeirense. Anteriormente, era preparada e consumida nos arraiais. Em meados dos anos 50 do século XX, Francisco da Silva Freitas fundou o primeiro restaurante de espetadas na Madeira, denominado «As Vides» pela primeira clientela, porque o braseiro, onde se assava a carne, era feito com vides, guardadas e secas após a poda das parreiras.
    Nelson Veríssimo, “Freguesias da Madeira: Estreito de Câmara de Lobos”, Funchal Notícias.net, 23 de novembro de 2025.