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Arquipelago de Origem:
Funchal
Data da Peça:
1959-00-00
Data de Publicação:
11/12/2020
Autor:
José Ferreira Thedim
Chegada ao Arquipélago:
2020-12-11
Proprietário da Peça:
RG 3
Proprietário da Imagem:
AAUMa
Autor da Imagem:
AAUMa
Virgem Prisioneira da Índia, 1959, núcleo museológico do RG 3 do Funchal, ilha da Madeira

Categorias
    Descrição
    Virgem Prisioneira da Índia núcleo museológico do RG 3 do Funchal.
    Madeira entalhada, estofada e policromada.
    José Ferreira Thedim (1892-1971), 1959
    Placa esquerda. DII 19 Comp. Caçadores Independente da Madeira. India - Damão. 1959-1961
    Placa Direita: DII 19. Comp. Caçadores Independente da Madeira, 1740, R.M.A, 1967-1969
    Museu do RG3, CCAÇ 1740
    Fotografia da Associação Académica da Universidade da Madeira, 18 de setembro de 2019
    Núcleo museológico do RG 3 do Funchal Funchal, ilha da Madeira.

    A pequena imagem de Nossa Senhora do Monte que pertencera à Companhia de Damão fora oferecida à capela de Nossa Senhora do Mar, na fortaleza de Damão Pequeno, pelo que a nova companhia, então formada para ser enviada para Diu, encomendou outra, a José Ferreira Thedim (1892-1971), que como "escultor", a assina e à Casa Domingos A. T. Fanzeres, em São Mamede do Coronado, Trofa, para a qual trabalhava. Este escultor e o irmão, Guilherme Ferreira Thedim (1900-1981), em 1920, tinham esculpido a primeira imagem de Nossa Senhora de Fátima, em madeira, que viria a ser colocada na Capelinha das Aparições, mas ganhando José progressivamente especial fama, mesmo internacional, levando a que o papa Pio XI (Achille Ambrogio Damiano Ratti, 1857-1938), em 1931, lhe atribuísse o título de Comendador da Santa Sé.
    A Imagem apresenta uma outra qualidade e dimensão, muito acima da anterior de Damão, demonstrando ser obra da mão do escultor em questão, que aliás a assina e não da oficina, como pode ser a de Damão. As feições são de enorme delicadeza, não se afastando muito, aliás, das imagens de Nossa Senhora de Fátima deste autor, embora aqui mais ativas e dirigindo-se decididamente ao espetador, qualidades gerais igualmente patentes no Menino Jesus. Quer o vestido quer o manto azul apresentam decoração fitomórfica a folha de ouro e com aplicações de pedraria em vidro.
    A tradição militar vinculada pelo núcleo museológico do RG3, onde se encontra, de que fora obtida por subscrição entre os militares da companhia e que, recebida em Diu, com honras militares, fora colocada num nicho preparado pelo pessoal, parece não corresponder, na parte final, totalmente à verdade. Assim, nas diversas fotografias desta companhia, aparece a acompanhar os militares no embarque no Funchal de dezembro de 1959. Salvo melhor opinião, no entanto, as coroas que figuram na fotografia daquele ano não parecem as mesmas com que chegou depois à Madeira e ainda apresenta.
    A Imagem conheceu a mesma odisseia dos militares presos em Diu na invasão de dezembro de 1961, tendo seguido com os mesmos para as masmorras da fortaleza e dai, depois, para Goa. A viagem foi feita por mar e, entrados no porto de Mormugão, seguiram num batelão de transporte de minério para o campo de concentração de Pondá, onde aguardariam vários meses para serem repatriados. Ainda em Diu, tinha sido encarregado do transporte e guarda da imagem o 1º cabo José Vasconcelos (1939-2018), que empurrado no porto de Mormugão, de noite, para o batelão, perdeu a imagem, não tendo sido possível localizar o fragmento do véu, que ainda hoje lhe falta, mas recuperando-se as coroas. Teria conhecido ainda alguma disputa no longo cativeiro de 6 meses em Pondá, onde foi confiscada, mas conseguindo os soldados madeirenses "à pancada", a sua devolução. Viajaria depois de avião, de Pondá para Carachi e, aí, embarcariam todos no paquete "Vera Cruz", com destino a Lisboa, onde foram recebidos como traidores, como os restantes militares portugueses. A viagem para o Funchal foi efetuada no paquete “Lima”, que acostou no molhe do Funchal, a 24 de maio de 1962, mas tendo sido a receção bastante diferente, como se reconhece na fotografia onde, orgulhosamente, o 1º cabo Vasconcelos desembarca com a imagem de Nossa Senhora do Monte. O paquete ostenta a bandeira da Câmara Municipal do Funchal e a receção, senão triunfal, é verdadeiramente amistosa.
    A Virgem Prisioneira, como ficou conhecida, voltaria ainda ao Ultramar Português, entre 1967 e 1969, com a Companhia de Caçadores 1740, mobilizada para o teatro de guerra de Angola.

    Bibliografia: NASCIMENTO, R. M. (2003-2019), Campanhas das Forças Armadas Portuguesas no Ultramar Português, coletânea executada por altura da inauguração do Monumento do Combatente Madeirense no Ultramar Português, Zona Militar da Madeira (policopiado); PEREIRA, B. F. (2017), Crepúsculo do Colonialismo, A Diplomacia do Estado Novo (1949-1961), Lisboa, D. Quixote;