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Arquipelago de Origem:
Bairro Alto
Data da Peça:
1822-00-00
Data de Publicação:
22/09/2026
Autor:
Vários
Chegada ao Arquipélago:
2026-09-22
Proprietário da Peça:
Tribunal Constitucional
Proprietário da Imagem:
DR
Autor da Imagem:
DR
Tribunal Constitucional, antigo Palácio Ratton, reforma de 1822 e seguintes, antiga Rua Formosa, hoje Rua de O Século, Bairro Alto, Lisboa, Portugal

Categorias
    Descrição
    Tribunal Constitucional
    Antigo Palácio Ratton, reforma de 1822 e seguintes.
    Diogo Ratton (1765-1822), filho do judeu francês Jácome Ratton (1736-1820) e obras inicialmente orientadas por José Costa e Silva (1747-1819)
    Antiga Rua Formosa, hoje Rua de O Século, Bairro Alto, Lisboa, Portugal

    Construído numa zona da cidade de Lisboa com uma forte carga mítica, o palácio Ratton constitui-se como um dos mais significativos exemplos de palácio do neo-classicismo em Portugal. As suas linhas sóbrias e depuradas acompanham uma corrente de pensamento fisiocrata e liberal que, recusando o supérfluo e a preponderância da decoração que predominara durante o barroco, marcam um retorno a uma certa simplicidade e despojamento de matriz clássica. Situado na hoje rua de O Século, conhecida durante épocas por rua Formosa, o palácio Ratton perfila-se numa sequência de importantes edificações nobres, onde se destaca o palácio do marquês de Pombal (1699-1782). Aqui, o marquês foi reunindo um conjunto de grandes comerciantes e altos funcionários régios, que se vão instalando tanto no palácio da sua família como noutros da zona, ou ainda em edifícios construídos pelo poderoso ministro.
    Jácome Ratton foi um dos mais conhecidos representantes desta pequena corte, acabando o seu filho Diogo por aqui construir um novo palácio. Com uma vista surpreendente sobre o jardim, tendo por fundo o estuário do Tejo, o palácio Ratton inscreve-se numa zona privilegiada da cidade, marcada por bons ares e pontuada por hortas e pomares. Cf. trabalho O Palácio Ratton e os fidalgos da rua Formosa, Hélder Carita (1950-), Lisboa, Caleidoscópio, 2023, lançamento depois a 12 de abril de 2024, no Tribunal Constitucional.
    Jácome Ratton (Monestier de Briançon, 7 jul. 1736; Lisboa, finais de 1821 a inícios de 1822) veio muito cedo, em 1747, com os pais para Lisboa, onde continuou a educação. Veio a naturalizar-se português em 1764 e, pouco depois, investia em várias indústrias desde a tecelagem à exploração do sal, em Alcochete, tendo a sua fábrica de fiação de Tomar, pouco depois de 1789, sido a primeira a utilizar em Portugal uma máquina a vapor. Foi, entretanto, deputado do tribunal supremo da Real Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação; fidalgo cavaleiro da Casa Real e cavaleiro da ordem de Cristo, mas após as invasões francesas era dado como estrangeirado, tal como Domingos Vandelli (1735-1816) e deportado, em 1810, para os Açores, de onde passaria, depois, a Inglaterra. Regressado a Lisboa, aí faleceu entre 1821 e 1822.