Trabalho agrícola no Curral das Freiras, março de 2020, Câmara de Lobos, ilha da Madeira.
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Trabalho agrícola no Curral das Freiras.
Fotografia de Daniel Silva, março de 2020.
Curral das Freiras, Câmara de Lobos, ilha da Madeira.
A ampla depressão do Curral das Freiras distingue-se pela presença de uma plataforma situada a cerca de 640 metros de altitude e que corresponde ao topo de uma grande massa rochosa deslocada. Sobre os depósitos do deslizamento, desenvolveu-se a povoação. As terras do Curral foram dadas, de sesmaria, a João Ferreira e a sua mulher Branca Dias, por João Gonçalves Zarco (c. 1390-1471). O Curral Grande, como então se denominava, era, sobretudo, lugar de criação de gado. João Ferreira e Branca Dias, em 1447, doaram esta propriedade à sua neta, Branca Teixeira. O segundo capitão do Funchal, João Gonçalves da Câmara (c. 1440-1501), comprou o Curral Grande a Rui Teixeira e à sua mulher, Branca Teixeira, em 11 de setembro de 1480, para dote de duas suas filhas, que professaram depois no convento de Beja e estavam em Santa Clara do Funchal em 1497. O Curral passou, por conseguinte, a ser propriedade do Convento. Lá se refugiaram as freiras clarissas em 1566, quando os corsários saquearam o Funchal.
Hoje a área agrícola do Curral das Freiras é bastante reduzida, comparativamente com o passado. Cultivava-se, então, trigo e centeio, árvores fruteiras e vinha. No primeiro quartel do século XX, laboravam quatro moinhos de água nesta freguesia. Havia abundantes castanheiros, cidreiras, nogueiras, cerejeiras e ginjeiras. A produção de mel de abelhas era também significativa. O topónimo Colmeal comprova a atividade apícola. A castanha e a ginja continuam a ter expressão económica e, nos dias de hoje, servem de pretexto para festas na localidade: Festa da Castanha e Mostra da Ginja.
Nelson Veríssimo, “Freguesias da Madeira: Curral das Freiras”, Funchal Notícias.net, 9 de novembro de 2025.