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Arquipelago de Origem:
São Martinho (Funchal)
Data da Peça:
1917-11-00
Data de Publicação:
25/06/2020
Autor:
Francisco Franco
Chegada ao Arquipélago:
2020-06-25
Proprietário da Peça:
Câmara Municipal do Funchal
Proprietário da Imagem:
Virgílio Gomes
Autor da Imagem:
Virgílio Gomes
Torso do monumento aos mortos na manhã de 3 de Dezembro de 1916, bronze de Francisco Franco, 1917, cemitério das Angústias, São Martinho, Funchal, ilha da Madeira

Categorias
    Descrição

    Torso do Monumento aos Mortos na manhã de 3 de Dezembro de 1916.
    Bronze, 200 cm.
    Francisco Franco (1885-1955), 1917.
    Marca de fabricante: Fundição Rua 5 de Junho, Funchal.
    Inaugurado em 3 de dezembro de 1917 no antigo cemitério junto de Santa Catarina, na Rua Imperatriz D. Amélia e transferido para São Martinho em 1946.
    Fotografia de Virgílio Gomes, 2006.
    Cemitério das Angústias, São Martinho, Funchal, ilha da Madeira.



    Inscrição: Aos Portugueses e Franceses mortos na manhã de 3 de Dezembro 1916.
    Fragateiros, na rude, e extenuante lida,
    Granjeio para os seus,
    Esplendente fanal, eram a luz da vida
    Acesa pela Esperança e pela mão de Deus!
    O clarim da manhã cantava na baía,
    O crisântemo abria à beira do balsedo ...
    E coriscou o raio e matou a alegria
    A violência, (o fragor,) imortal, de um torpedo!
    Do "Suave Responso", Jaime Câmara
    .
    Túmulo-Monumento erigido por subscrição da iniciativa de Henrique V. de Castro, 3-12-917.


    Francisco Franco (Funchal, 9 out. 1885 - Lisboa, 15 fev. 1955). Escultor e um dos principais nomes modernistas portugueses da primeira geração. Após frequência da Academia Real de Belas-Artes de Lisboa, para onde seguira da Madeira com 15 anos, em 1900, como bolseiro do legado Visconde de Valmor, partiu para Paris (1909-11), onde ainda regressou como bolseiro entre 1919 e 1921. Nos anos 1920 desenvolveu algumas das suas obras mais significativas, progressivamente abertas a uma modernizada atualização, abandonando as referências iniciais a Rodin e Bourdelle, são destes anos o Retrato de Manuel Jardim (1921), Busto de Polaca (1921) e Torso de Mulher (1922), para além do Semeador (1924, fundido depois em 1936). No regresso a Portugal, Francisco Franco realizou a estátua de João Gonçalves Zarco (1918 a 1927), exposta em Lisboa em 1928, para o monumento a ser erguido no Funchal (1934), que definiu um novo cânone, nas décadas seguintes utilizado nas representações oficiais do Estado Novo, inspirado nas figuras quatrocentistas de Nuno Gonçalves e numa certa monumentalidade heroica. Esta obra marcou ainda o início de um novo ciclo da carreira do escultor, em que a linguagem inovadora do experiencialismo parisiense deu lugar a um sentido oficial, celebrativo de heróis e mitos nacionais. O Cristo-Rei, esboçado pelo artista e postumamente erguido em Almada (1959), fecha um período onde também se referenciam as representações de Oliveira Salazar, a estátua da Rainha D. Leonor (1935, Caldas da Rainha), a representação equestre do rei D. João IV (1943, Vila Viçosa), as estátuas régias de D. Dinis e D. João III (1943 e 1948, Universidade de Coimbra), a Dor, na Panteão Nacional e nos túmulos de D. Carlos e do Príncipe Luís Filipe e o busto de D. Manuel II, tendo ficado por esboços em gesso as estátuas de D. João II e de D. Manuel I.
    Apresentou-se em várias exposições, com destaque para a Exposição de Arte Livre (1911), Exposição dos Cinco Independentes (1923), I Salão dos Independentes (1930), I Exposição de Arte Moderna (SPN/SNI, 1935), Exposição Universal de Paris (1937) e I Exposição de Arte Sacra (1945). Participou em diversos salões da Sociedade Nacional de Belas-Artes (1ª medalha, 1930; 2ª medalha, 1929). Era membro da Academia Nacional de Belas-Artes. No estrangeiro, participou no Salon d'Automne (1921 e 1923), galeria Weyhe, Nova Iorque (1925), exposição de Boston, USA, com Picasso, Louvencen e Mayol (1927, onde vende 6 desenhos), Exposição Ibero-Americana de Sevilha (1929), Exposição de Vincennes (1931) e na Exposição Universal de Paris (1937), na Bienal de Veneza (1950), Bienal de São Paulo (1953), entre outras. Nos anos 1940-50, Francisco Franco e a família doaram muitos dos seus trabalhos ao Museu José Malhoa, instituição que assim reúne um núcleo de incontornável importância, dedicado à estatuária portuguesa deste período e, mais tarde, por doação e aquisição, o espólio dos irmãos Franco veio a constituir o Museu Henrique e Francisco Franco do Funchal. O Museu veio a ser instalado no antigo Dispensário Materno-Infantil de 1940, obra do eng. Raúl Andrade de Araújo (1918-1957) e construído por José Nascimento de Sousa, em julho de 1945, inaugurado a 21 de agosto de 1987, com projeto de Rui Carita e, remodelado a partir de 1996 por Francisco Clode de Sousa.