Taça chinesa Ming com cenas eróticas do convento de Santana de Lisboa, 1590 a 1620 (c.), IAP/Nova Lisboa, Portugal.
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Descrição
Taça chinesa Ming com cenas eróticas do convento de Santana de Lisboa.
Porcelana chinesa azul e branca.
Dinastia Ming (1368-1644), reinado Wanli (1572-1620) (sem marcas), 1590 a 1620 (c.).
Prováveis fornos de Jingdezhen, província de Jiangxi, China.
Exumada nas escavações arqueológicas do convento de Santana, em Lisboa, 2010, Instituto de Arqueologia e Palio ciências (CS F 6-130), direção de Mário Varela Gomes, Universidade Nova de Lisboa
Pub. Gonçalo Pereira Rosa, "Pornografia no convento", in National Geographic História, Lisboa, edição 14 e atualizada em 12 de janeiro de 2024.
Foi exumada em 2010, durante a intervenção arqueológica, realizada nas ruínas do antigo Convento de Santana de Lisboa, juntamente com outro espólio arqueológico, no interior de fossa-lixeira aberta no solo arenoso da área central do claustro. Aí se acumulou, devido a razão de carácter higiénico, lixo variado, designadamente restos de alimentos, pequenos objetos e grande quantidade de cerâmicas, entre as quais algumas peças inteiras ou completas, totalizando cerca de cinco mil fragmentos. Destes, 24% pertencem a porcelanas chinesas. O Convento de Santana, fundado em 1543 por uma religiosa negra com apoio do confessor de D. João III (1502-1557), mudou-se para Santana em 1562, já reestruturado como comunidade feminina franciscana da Terceira Ordem Regular e também conhecido como Mosteiro das Penitentes da Paixão de Cristo. Uma hipótese provável, que os autores Alexandre Vaz Fonte, Rosa e Mário Varela Gomes sugerem num artigo recentemente publicado no The Antiquries Journal, Lisboa, 2023, “Chinese Pornography in a Portuguese Nunnery: On a tradicional period blue and white porcelaine bowl recoverd from the Santana Convent (Lisbon)” é que esse “descarte na sua grande escala possa ser explicado por medidas obrigatórias de higiene ou profilaxia numa altura em que as doenças contagiosas proliferavam”, como poderiam ter sido os surtos da Praga do Algarve de 1645 e 1650 que, face a algum indício, teriam originado a rejeição das loiças então em uso no convento.