Sublevação militar no Continente do 11 de março, "Jornal da Madeira", Funchal, 12 de março de 1975, p. 1, ilha da Madeira
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Sublevação militar no Continente
Tentando pôr em causa a normal evolução do processo democrático.
General Costa Gomes (1914-2001) fala ao País e general Spínola (1910-1996) foge para Espanha.
Jornal da Madeira, direção de Alberto João Jardim (1943-), Funchal, 12 de março de 1975, p. 1.
Arquivo Regional da Madeira, Coleção de Jornais, JM, Funchal, ilha da Madeira.
Francisco da Costa Gomes (Chaves, 30 jun. 1914; Lisboa, 31 jul. 2001). Aluno do colégio Militar, ingressaria na Escola do Exército e seguiria a vida militar. Seria chamado para subsecretário de Estado do Exército pelo general Júlio Botelho Moniz (1900-1970), então ministro da Defesa, altura em que se envolve na intentona de Beja, em abr. 1961. Em 1970 exerceu funções de comandante da Região Militar de Angola, tentando estabelecer contactos com o movimento da UNITA contra o MPLA e a FNLA. A 12 set. 1972 foi chamado a Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, convidando em jan. 1974 o general Spínola (1910-1996) para vice-chefe, incentivando-o a publicar o Portugal e o Futuro, que estava a trabalhar com a escritora Natália Correia (1923-1993). Em Mar. 1974 anunciou oficialmente a existência do Movimento dos Capitães, dada a falta de prestígio dos quadros superiores. Perante a reunião dos mesmos com Marcello Caetano, numa cerimónia de lealdade pública, a 14 mar. 1974, reunião que ficou conhecida como Brigada do Reumático, a que nem ele nem Spínola comparecem, são demitidos. Integrará a Junta de Salvação Nacional da noite de 25 abr. 1974, mas tentará não assumir demasiado protagonismo, ficando, novamente, como CEMGFA. Face à renúncia de Spínola a 30 set. 1974, assume a Presidência da República, controlando, dentro do possível a situação durante o Verão Quente de 1975 até 27 jun. 1976, onde em eleições livres foi eleito o general António Ramalho Eanes (1914-). Viria a ser elevado à dignidade de Marechal, com Spínola, em 1982.
António Sebastião Ribeiro de Spínola (Estremoz, 11 abr. 1910; Lisboa, 13 ago. 1996). Aluno do Colégio Militar, seguiu a carreira militar até aos mais altos postos, sendo governador da Guiné em 1968 e, novamente, em 1972, onde desenvolve intensa atividade militar e diplomática, contactando com diversos líderes africanos, como Leopoldo Sedar Senghor (1906-2001). Regressa a Lisboa em nov. 1973, altura em que Marcello Caetano (1906-1980) o convida para a pasta do Ultramar, que não aceita, sendo nomeado vice CEMGFA por proposta de Costa Gomes (1914-2001), a 17 jan. 1974, publicando Portugal e o Futuro, na Arcádia, por sugestão da diretora Natália Correia (1923-1993), livro que sai a 22 fev. 1974 e se torna um êxito, dado apontar para uma solução política negociada para o Ultramar e para as Guerras Coloniais. Seria chamado pelo Movimento das Forças Armadas para, a 25 Abr. 1974, receber a rendição de Marcello Caetano e, nessa noite, para integrar a Junta de Salvação Nacional, cujo programa tenta ainda alterar. Seria designado para o cargo de presidente da República a 15 maio 1974, renunciando ao mesmo a 30 set., dado o fracasso da manifestação da Maioria Silenciosa, convocada a 28 set. Conspirando, veio a ser envolvido, ou a envolver-se no 11 Mar. 1975, altura em que foge para Espanha e, daí, para o Brasil. Regressaria depois a Portugal e ainda seria condecorado e nomeado chanceler das Ordens Militares, a 5 fev. 1987, por Mário Soares (1924-2017).