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Arquipelago de Origem:
Freguesia da Sé (Funchal)
Data da Peça:
1913-10-01 00:00:00
Data de Publicação:
20160430
Autor:
Ventura Terra
Chegada ao Arquipélago:
2004-06-18 00:00:00
Proprietário da Peça:
Câmara Municipal do Funchal
Proprietário da Imagem:
Câmara Municipal do Funchal
Autor da Imagem:
Rui Carita
Solar de Dona Mécia, Outubro de 1913, Funchal, ilha da Madeira

Categorias
    Descrição
    Solar de D. Mécia.
    Pormenor da Planta geral do Funchal.
    China sobre tela aguarelada no verso, escala 1/1000.
    Ventura Terra, Outubro de 1913.
    Câmara Municipal do Funchal, ilha da Madeira.

    Trata-se da folha de rosto do projecto do arquitecto urbanista Ventura Terra para reformulação da cidade do Funchal, encomendado nos primeiros anos da instauração da República.
    Câmara Municipal do Funchal.
    O solar de Dona Mécia, construção do século XVI, já referida na planta de 1566, ardeu após um festa, em 1957, perdendo-se assim o único exemplar de arquitetura solarenga mudéjar do Funchal. Servira, entretanto, de capela Metodista, de bar e restaurante, e de cinema ao ar livre. Propriedade do empresário João Aquino Morna Jardim (n. 1934), que o tentou demolir, veio a ser adquirido e restaurado nos início do século XXI, pelo arquiteto Roberto Melim, não se tendo aproveitado quase nada do edifício anterior.
    Cronologia:
    Séc. 16, inícios - construção do solar; 1567 - representação do solar na planta do Funchal de Mateus Fernandes (III); 1606 - data do portal à R. dos Aranhas, 26, com as armas dos Ornelas, Magalhães, Joannes (ou Miranda, ou Amaral) e Meneses (ouro pleno); 1662 - construção da capela de Nossa Senhora da Conceição por Rui Dias de Aguiar e sua mulher D. Leonor de Ornelas Andrade Magalhães; 1666, 1 jan. - casamento de Manuel Ferreira Drumond com Dona Mécia de Vasconcelos, filha de Dona Catarina; 1695, 7 mar. - óbito de D. Mécia, "de um desastre e foi que estando em sua casa no Beco dos Aranhas, certo religioso do convento de S. Francisco, natural desta ilha, para matar um francelho que estava pousado numa árvore, lhe fez tiro com uma espingarda e disparando-a, deu um perdigoto na testa por cima de um olho da dita D. Mécia, de tal sorte que perdeu os sentidos e o juízo"; 1834 a 1848 - residência do padre Richard Thomas Lowe, capelão da igreja ritualista e notável botânico; 1879, 21 jun. - registo de propriedade pelo conservador António Leite Monteiro devido a partilhas, em nome de D. Adelaide Cristina de Ornelas e Melo, casada com o Dr. João Cabral de Melo, cirurgião médico residente em São Miguel, Açores, do prédio que pertencera a seu pai, Pedro José de Ornelas; 1900, 5 e 7 fev. - descrição a favor das novas proprietárias, D. Vicência Júlia, D. Maria Amélia, D. Adelaide Sofia e D. Elisa Maria de Ornelas e Melo, solteiras, do solar que fora de seu avô Pedro José de Ornelas; 1913 e 1915 - representação do solar na planta do arquiteto Ventura Terra; 1917, 31 dez. - inscrição da nova proprietária D. Adelaide de Melo Machado de Sousa, casada com o capitão do Exército Manuel Machado Soares de Sousa; 1925 - instalação da Escola Primária Superior; 1940, 26 set. - publicação de Decreto nº 30 762, no DG, 1.ª série, n.º 225, determinando a classificação da Casa de D. Mécia como Imóvel de Interesse Público; 01 nov. - publicação do Decreto nº 30 838, DG, 1.ª série, n.º 254, suspendendo o decreto n.º 30 762, de 26 de setembro do mesmo ano, relativamente à classificação de imóveis de propriedade particular; 1952, 2 abr. - requerimento do Dr. João de Melo Machado, divorciado, delegado do Ministério Público, de destaque da propriedade, que passou a prédio urbano; 1957, carnaval - incêndio no prédio onde funcionava então um clube de diversões, ardendo na noite seguinte à terça-feira de carnaval; 1958 ; - arrendamento do logradouro ao Sr. Morna Jardim, cônsul do Brasil, passando a funcionar como Cine Jardim ao ar livre; 1965, 18 mar. - inscrição de posse de João Jardim, casado em regime de separação de bens com D. Maria Dolores da Silveira Jardim, da propriedade adquirida ao Dr. João de Melo Machado; 1994 - BANIF vende o solar aos associados Sá e Melim que o revendem à Associação Comercial e Industrial do Funchal; 1999, finais - início da demolição do solar para sede da ACIF; 2000, 12 jan. - escavações arqueológicas de emergência na área do solar a cargo do Gabinete de Arqueologia da Câmara do Funchal; 9 a 15 fev. - limpeza da capela do Solar; 16 fev. ? abertura dos quadrados para as escavações na antiga capela; 2001, 12 jan. - encerramento das atividades arqueológicas na área do Solar; 2001, 21 maio - inauguração do Solar para sede da ACIF com exposição do espólio exumado na antiga capela; 2002, 8 jan. - encerramento da exposição;
    Bibliografia: NORONHA, Henrique Henriques de, Nobiliário da Ilha da Madeira...1700, São Paulo, 1947; FRANÇA, Isabella de, Jornal de uma visita à Madeira e a Portugal, 1853-1854, tradução e introdução de Cabral do Nascimento, notas e comentários de Santos Simões, Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal, 1970; CORREIA, marquez de Jácome, A Ilha da Madeira, 1927; SILVA, Padre Fernando Augusto da, Elucidário Madeirense, 3 vols., Funchal, 1945; LUCENA, Vasco de, "Portas Armoriadas", in DADHM, nº 4, Funchal, 1950; GOMES, Alberto F., Nótulas Camilianas, 1965; ARAÚJO, Alberto, "Incêndios", Diário de Notícias, Funchal, 2 abr. 1978; ARAGÃO, António, Para a História do Funchal, Funchal, 1980; BÁRBULA, Conceição Freitas e MENESES, Maria José, "O Solar de D. Mécia", trabalho de licenciatura em História, Funchal, 1981; SAINZ-TRUEVA, José de, Património para quê ? "O solar de Dona Mécia", Diário de Notícias, Funchal, 2 set. 1984; FREITAS, arq. Diva Manuela Correia de, "O Solar de D. Mécia, estudo e levantamento", DRAC, jun. 1986; PINTO, António Jorge, "Dentro de dois anos "Cine-Parque" será Hotel? Procurei responder ao apelo do Governo - vontade expressa por Morna Jardim", Diário de Notícias, Funchal, 31 out. 1986; MOUTINHO, Viale, "Está em ruínas a casa de D. Mécia", Diário de Notícias de Lisboa, 1 set. 1990; FERNANDEZ, Juan, "A património dado não se olha o dente. Solar de D. Mécia dará lugar a projecto de Taveira", Jornal da Madeira, 23 fev. 1991; CAETANO, Emília, "Património: Projecto de Taveira agita Funchal", O Jornal, Lisboa, 1 mar. 1991; MOUTINHO, Viale, "Ainda é possível salvar a Casa de D. Mécia no Funchal, ameaçado imóvel de interesse público", Diário de Notícias, Lisboa, 1 mar. 1991; SILVA, António Ribeiro Marques da, "O Solar de Dona Mécia", Diário de Notícias, Funchal, 3 mar. 1991; NÓBREGA, Tolentino, "O "caso" do solar D. Mécia. O desenvolvimento contra a História ? ", in Público, 4 mar. 1991 e Eco do Funchal, 15 mar. 1991; FLORENÇA, Teresa, "O querer e o poder no solar da Dona Mécia", Diário de Notícias, Funchal, 17 mar. 1991; CALISTO, Luís, "Relatório é contra desclassificação do edifício. Recuperação do Solar D. Mécia é possível embora custe caro", Diário de Notícias, Funchal, 17 Abr. 1991; SILVA, António Ribeira Marques da, "O Solar de D. Mécia - um folhetim? ", in Diário de Notícias, Funchal, 1 ago. 1991; CARITA, Rui, História da Madeira, 3º vol., Funchal, 1993; idem, "As Dinastias dos Habsburgos e dos Braganças", Funchal, 1992; CALISTO, Luís, "Câmara vai intimidar BANIF a despachar-se com D. Mécia", Diário de Notícias do Funchal, 18 Fev. 1993; ibidem, "Santa Engrácia insular" pode começar a desatar-se. Empresário madeirense interessado em D. Mécia", Diário de Notícias, Funchal, 26 mar. 1993; FERNANDEZ, Juan, "Recuperação com «Ses». Solar D. Mécia enfim vendido e 165 mil contos. Solar de D. Mécia vendido a 5 privados", Diário de Notícias, Funchal, 2 maio 1994; SILVA, Sónia, "Promotores ainda aguardam resposta da CMF. Não somos delinquentes urbanísticos", e CARITA, Rui, "Há que defender o solar com unhas e dentes", in Jornal da Madeira, 9 jun. 1995; AZEVEDO, Eliezer, "Enquanto o Solar da Dona Mécia não é aprovado, Jorge de Sá, sobre os seus negócios, afirma: "Parece-me que há quem queira prejudicar-nos", Jornal da Madeira, 13 jun. 1995; SILVA, Sónia e CHEGA, R., "Projecto Solar da D. Mécia será aprovado em breve", Jornal da Madeira, 19 ago. 1995; I.S., "Quarteirão do solar D. Mécia com projecto aprovado", Diário de Notícias, Funchal, 20 set. 1996; AMJ, "CMF põe a discussão pública Solar de D. Mécia", Jornal da Madeira, 20 set. 1996; CARITA, Rui e TRUEVA, José Manuel de Sainz, Itinerário Cultural do Funchal, Funchal, 1997; MARTINS, Rosário, "Escritórios de luxo no antigo Cine-Park. ACIF compra Solar D. Mécia", Diário de Notícias, Funchal, 19 Jul. 1999; CARITA, Rui, "O Solar de D. Mecia", in Islenha n.º 25, direção de Nelson Veríssimo, Funchal, DRAC, Jul.-Dez. 1999, pp. 59 a 65;