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Arquipelago de Origem:
Madeira (Região Autónoma)
Data da Peça:
1956-00-00
Data de Publicação:
18/11/2020
Autor:
Vieira da Silva
Chegada ao Arquipélago:
2020-11-18
Proprietário da Peça:
Mudas, Museu de Arte Comtemporânea da Madeira
Proprietário da Imagem:
Mudas, Museu de Arte Contemporânea da Madeira
Autor da Imagem:
Mudas, Museu de Arte Contemporânea da Madeira
Sem título, óleo de Vieira da Silva, Paris, 1956, França

Categorias
    Descrição
    Sem Título.
    Óleo sobre tela, 70 x 60 cm.
    Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992), 1956.
    Composição abstrata estruturada geometricamente, com predominância de cinzentos, azuis e brancos, onde o mapeamento de cidades e arquiteturas, a incidência da luz e o azulejo, numa permanente recreação do espaço são uma referência constante, e, de grande autenticidade poética. Constitui um dos grandes testemunhos da obra de Vieira da Silva, dedicado a Madame Lamy. Oferta da Empresa Cimentos Madeira, em 1988.
    MUDAS, Museu de Arte Contemporânea da Madeira (MMAC/VS02PINT), Calheta, ilha da Madeira.

    Maria Helena Vieira da Silva (Lisboa, 13 jun. 1908; Paris, 6 mar. 1992). Filha do embaixador Marcos Vieira da Silva, ficou órfã de pai aos três anos, tendo sido educada pela mãe em casa do avô materno, José Joaquim da Silva Graça, diretor do jornal O Século. Tendo mostrado interesse, desde muito pequena, pela pintura e pela música começou a estudar pintura, a partir de 1919, com Emília Santos Braga e Armando Lucena, e em 1924, frequenta as aulas de Anatomia Artística da Escola de Belas Artes de Lisboa.
    Em 1928 vai viver para Paris, acompanhada pela mãe, visitando a Itália e frequentando as aulas de escultura de Bourdelle, na Academia La Grande Chaumière, mas que abandonará depois, para frequentar as aulas de Despiau e outros, entre os quais, Fernando Léger. Conheceu, entretanto, o pintor húngaro de origem judaica Arpad Szenes (1897-1985), com quem casa em 1930, e com quem visitará a Hungria e a Transilvânia. Em 1935, António Pedro organiza a primeira exposição da pintora em Portugal, o que a retém até Outubro de 1936, após o qual voltará para Paris, onde participará ativamente na associação «Amis du Monde», criada por vários artistas parisienses devido ao desenvolvimento da extrema direita na Europa. Regressará a Portugal em 1939, devido à guerra, já que para o seu marido, judeu húngaro, a proximidade dos nazis e o terem-lhe retirado a nacionalidade, tornando-o apátrida, lhes não permitia permanecerem em Paris. Em Portugal, o governo de Salazar não lhe restitui a cidadania portuguesa, mesmo tendo casado pela igreja, embora ainda tenha participado num concurso de montras, realizado no âmbito da Exposição do Mundo Português, que também lhe encomendou um quadro, mas cuja encomenda foi depois retirada. O casal decide-se a ir para o Brasil, onde serão recebidos de braços abertos, recebendo passaportes diplomáticos, que substituem os de apátridas emitidos pela Sociedade das Nações, tendo mesmo recebido uma proposta de naturalização do governo brasileiro. Residirão no Rio de Janeiro até 1947, pintando, expondo e ensinando, regressando Vieira da Silva primeiro que o marido, retido pelos seus compromissos académicos, tendo Vieira da Silva começado a ser reconhecida na Europa, comprando-lhe o estado francês La Partie d'échecs, um dos seus quadros mais famosos. Vende obras suas para vários museus, realiza tapeçarias e vitrais, trabalha em gravura, faz ilustrações para livros, cenários para peças de teatro expõe em todo o mundo e ganha o Grande Prémio da Bienal de São Paulo de 1962, e no ano seguinte, o Grande Prémio Nacional das Artes, em Paris, pela primeira vez atribuído a uma mulher. Tendo naturalidade francesa desde 1956, depois de várias condecorações, em 1979, foi-lhe atribuída Legião de Honra francesa. O seu reconhecimento em Portugal será feito pela novel Fundação Calouste Gulbenkian, que lhe adquire vários trabalhos, promove e divulga a sua obra. Mais tarde, será a Gulbenkian a promover a instalação do Museu Arpad Szenes e Vieira da Silva, inaugurado a 3 de novembro de 1994.