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Arquipelago de Origem:
Minas Gerais (Brasil)
Data da Peça:
1770-00-00 00:00:00
Data de Publicação:
09/09/2022
Autor:
António Maria Lisboa, o Aleijadinho
Chegada ao Arquipélago:
2022-09-09
Proprietário da Peça:
Santuário de Gongonhas
Proprietário da Imagem:
Vitór Serrão
Autor da Imagem:
Vitór Serrão
Santuário de Gongonhas, esculturas de António Maria Lisboa, "o Aleijadinho", 1770 (c.), Minas Gerais, Brasil

Categorias
    Descrição
    Santuário do Bom Jesus de Matosinhos.
    Cantaria local esculpida.
    António Maria Lisboa, o Aleijadinho (1738-1814), 1770 (c.).
    Fotografia de 2010 (c.), pub. Vitór Serrão, 2022.
    Gongonhas do Campo, Minas Gerais, Brasil.

    A construção do santuário, no topo do Monte Maranhão, teve início em 1757, por iniciativa do devoto Feliciano Mendes, em agradecimento a uma graça alcançada. A obra, que contou com a colaboração dos mais importantes artistas da região, desenvolveu-se em várias etapas: de 1757 a 1765 deu-se a construção da igreja e, de 1777 a 1796, a construção do adro e da escadaria que, ornados por António Francisco Lisboa, o Aleijadinho, conferiram à edificação uma imponência e um sentido ímpar de monumentalidade. É no conjunto do adro que a genialidade do artista se manifesta plenamente.
    SUBLIMES IMAGENS FALANTES. No dia em que se comemora o segundo centenário da Independência do Brasil (7 de Setembro de 1822), que melhor homenagem do que lembrar António Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1730 ?-1814), o mais genial escultor activo no Brasil colonial e talvez o último representante do Barroco fora do espaço europeu ? O artista, que nasceu, trabalhou e morreu em Vila Rica (actual Ouro Preto) e que cedo se tornou lenda e, mesmo, fonte de mitificação nacionalista, foi notabilíssimo mestre na escultura de pedra-sabão e de cedro -- como se vê nos Profetas do santuário de Congonhas do Campo e nas figuras lavradas para as suas capelas da Via Crucis -- e, ainda, tracista de equipamentos de arquitectura (em São Francisco de Assis de Ouro Preto, por exemplo), além de entalhador e 'designer' de mobiliário litúrgico, que o tornam uma das personalidades mais destacadas, em termos internacionais, na viragem do século XVIII para XIX. Tal como sucedia no Portugal de Oitocentos com o «mito Grão Vasco», a mitificação do Aleijadinho no Brasil independente pós-1822 deve ser vista como o maior fenómeno patriótico de auto-legitimação de toda a arte brasileira, E, todavia, só com a segurança trazida pela investigação da História da Arte (por Germain Bazin, Robert Smith, Myriam Ribeiro de Oliveira, Judith Martins, John Bury, Oyama de Alencar Ramalho, José Teixeira, Jaelson Bitran Trindade, etc) a figura recuperou, desfeito o mito, a sua real dimensão artística e humana -- sem nada perder com isso, antes pelo contrário, em termos de brilho e sublimidade ! (Vitór Serrão, 7 set. 2022)