Retrato do rei D. Carlos.
(1863-1908)
Óleo sobre tela.
Adolfo Rodrigues (1867-1908), 1895.
Câmara Municipal do Funchal, ilha da Madeira.
Pub. Ramiro A. Gonçalves, “Adolfo de Sousa Rodrigues (1866-1908): um pintor insatisfeito”, in Islenha, n.º 61, direção de Marcelino de Castro, Funchal, DRC, Jul. - Dez. 2017, p. 14.
Adolfo de Sousa Rodrigues (Funchal, 13 jan. 1867; Lisboa, 9 mar. 1908). Tirou o curso da Academia de Belas Artes, com altas classificações, tendo-se dedicado à pintura histórica, sob orientação de José Ferreira Chaves (1838-1899) e conseguindo bolsa para se especializar em Paris, trabalhando nos ateliers de Jean Paul Laurens (1838-1921) e Benjamin Constant (1845-1902). No 2.º ano do curso em Lisboa já tinha alcançado o prémio
Anunciação, vindo a ser depois distinguido, em Lisboa, no Grémio Artístico, em 1895, com a terceira medalha. Pintou Agostinho de Ornelas e Vasconcelos (1836-1901), hoje na coleção dos descendentes, em Paris e o rei D. Carlos (1863-1908), nas coleções da Câmara Municipal do Funchal, uma alegoria à História no teto da entrada do Museu Militar de Lisboa, etc., tendo as palmas da Academia de França e a ordem de Isabel,
a Católica, de Espanha.
D. Carlos (1863-1908). Filho de
D. Luís I e de
D. Maria Pia de Sabóia, veio a distinguir-se, para além de rei, como
pintor e cientista. Tendo começado a pintar em
1889, veio a atingir uma muito boa qualidade, especialmente nos seus trabalhos em aguarela, tendo sido seu mestre o aguarelista espanhol
Enrique Casanova. Como cientista distinguiu-se nas suas
explorações oceanografias, a bordo do iate
D. Amélia, trabalhos então de certa forma em moda em algumas cortes europeias. Recebendo uma pesada herança política e governativa, logo inquinada no início do seu reinado com a questão do ultimato inglês ao
Mapa Cor-de-Rosa, a situação não deixou de piorar e levar, em
1908, ao seu assassinato e do
príncipe herdeiro D. Luís Filipe junto à Praça do Comércio, em Lisboa, quando a família real regressava de Vila Viçosa.