Retrato do capitão Salgueiro Maia, Vhils, 2024 e busto de bronze, Parque 25 de Abril de Castelo de Vide, Portugal
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Descrição
Retrato e busto do capitão Salgueiro Maia
Fernando Salgueiro Maia (1944-1992) a partir de uma fotografia de Alfredo Cunha
Gesso esgrafitado, 2,5 x 2,5 m.
Vhils (Alexandre Farto, 1987-), inaugurados a 24 abr. 2024
Fotografia de URB-AMOP projeto de 23 de abril de 2024.
Parque 25 de Abril de Castelo de Vide, Portugal.
Fernando José Salgueiro Maia (Castelo de Vide, 1 jul. 1944; Lisboa, Hospital Militar de Belém, 4 abr. 1992). Depois de frequentar a Academia Militar e a Escola Prática de Cavalaria, desempenhou funções de alferes-comando em Moçambique, durante a Guerra Colonial. Já com o posto de capitão, na madrugada de 25 de abril de 1974, dirigiu as tropas revolucionárias de Santarém, com Tavares de Almeida, até Lisboa, tornando-se uma das figuras-chave do golpe. Tomou os ministérios do Terreiro do Paço e o quartel da Guarda Nacional Republicana, no Carmo, onde estava refugiado o chefe do Governo, Marcello Caetano (1906-1980), que se lhe rendeu. Assim se deu a queda do Estado Novo. A revolta militar foi desencadeada pelo Movimento das Forças Armadas (MFA), que derrubou o regime praticamente sem o emprego da força e sem provocar vítimas. Os dois únicos momentos de tensão foram protagonizados pelo próprio Salgueiro Maia: o primeiro foi o encontro com um destacamento de blindados, até então obediente ao Governo, resolvido quando estas tropas tomaram posição ao lado dos revoltosos; o outro ocorreu quando o capitão mandou abrir fogo sobre a parede exterior do quartel da GNR. Retomando modestamente o rumo da sua carreira militar, o capitão Salgueiro Maia recusou as honrarias que o regime democrático lhe quis atribuir. Todos os anos é recordada a sua coragem e a sua determinação aquando das comemorações do 25 de abril.
“Salgueiro Maia foi, na modéstia e isenção do seu comportamento e na honradez do seu carácter, uma referência. Compreendeu como poucos o papel que deve caber aos militares numa sociedade democrática”. Estas palavras de Mário Soares (1924-2017) levantam-nos o véu sobre a força de espírito que o mais famoso Capitão de Abril detinha, e pela qual é reconhecido, mas um homem não se constrói num único momento. É fruto de um percurso vivencial, de uma vida de aprendizagem, que molda o espírito humano e o leva a atos considerados, pela sociedade, de grande valor. Aqui se procura encontrar o percurso de vida de Salgueiro Maia, um homem de grande valor. Conhecendo o seu passado, melhor se pode compreender o homem e a sua circunstância (Sinopse à 11ª edição da editora Âncora).
Vhils é pseudónimo do grafitti português Alexandre Farto (1987-), que se tornou num dos mais promissores artistas de Arte Urbana, depois de 2008, quando terminou a sua formação na University of the Arts em Londres, com intervenções um pouco por todo o Mundo e certa projeção já na Ásia. Tem voltado periodicamente ao seu local de origem, a margem Sul e o Seixal, mas não abdicando de uma grande intervenção internacional por vários pontos do globo, especialmente, Shangai, na China ou em Hong Kong.