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Arquipelago de Origem:
Damão
Data da Peça:
1740-00-00
Data de Publicação:
14/09/2020
Autor:
Oficina indo-portuguesa local
Chegada ao Arquipélago:
2020-09-14
Proprietário da Peça:
Matriz do Bom Jesus de Damão
Proprietário da Imagem:
Mónica Esteves Reis
Autor da Imagem:
Mónica Esteves Reis
Retábulo colateral da igreja matriz do Bom Jesus de Damão, talha de 1740 (c.) e seguintes, Damão Grande, Índia

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    Descrição

    Retábulo colateral da igreja matriz do Bom Jesus de Damão.
    Talha dourada e policromada de oficina indo-portuguesa local, 1740 (c.) e seguintes.
    Damão, antiga Província do Norte do Estado Português da Índia.
    Fotografia de Mónica Esteves Reis, 1 de fevereiro de 2007.
    Manguerial Road, Damão Grande, Moti Daman, território de Damão e Diu, estado de Gujarate, União Indiana.


    A atual igreja Matriz do Bom Jesus de Damão deve datar de 1559 a 1570, mas teve depois obras de reconstrução em 1603, de acordo lápide ali encontrada, passando a igreja da Companhia de Jesus e ainda vindo a ser sé da diocese de Damão. Apresenta portais maneiristas, provavelmente desta campanha de obras, ou pouco depois, mas de mãos diferentes, parecendo o lateral mais antigo e com a emblemática dos Jesuítas. Interiormente, é de uma só nave, com capela-mor e do Santíssimo, no flanco esquerdo, junto do magnífico púlpito e 2 altares colaterais.
    A cidade de Damão está situada na foz desse rio, sendo por ele dividida em Moti Daman (Damão Grande), a sul, e Nani Daman (Damão Pequena), a norte. A dimensão é inversa à que resulta das medidas lineares e de superfície, mas direta no que respeita à monumentalidade, pois Damão Grande é a cidade contida dentro de um dos perímetros abaluartados simultaneamente de maior impacto e perfeição construídos pelos portugueses. Na frente de Damão Pequena foi erguida entre 1615 e 1627 uma pequena joia da engenharia militar portuguesa, o Forte de São Jerónimo. O porto de Damão, desde sempre prejudicado por uma barra estreita e baixa, é ainda um dos pontos de encontro da vida social e económica da cidade, com especial relevo para o comércio, mas também para a pesca, com os seus barcos mantendo viva a tradição da carpintaria naval. Com efeito, as florestas de teca do interior fizeram com que até 1871 a cidade mantivesse um ativíssimo e reputado arsenal – uma Ribeira das Naus, como referem alguns documentos escritos e iconográficos – do qual saíram inúmeras embarcações. A ponte que une ambas as margens é já posterior ao período da soberania portuguesa, pois durante o domínio português a travessia fazia‐se em barcas (Walter Rossa).
    A ilha da Madeira mobilizou uma segunda companhia com destino à antiga Índia Portuguesa, que embarcou em abril de 1957, com o destino específico a Damão. O embarque conheceu alguma solenidade, com formatura na doca do porto do Funchal e registando-se a presença do comandante João Inocêncio Camacho de Freitas (1899-1969), então governador civil e demais autoridades insulares. Para a mesma companhia, por iniciativa do padre Carlos Jorge de Faria e Castro (1888-1971), ativo jornalista e publicista, que depois haveria de servir também na Índia, se reuniram fundos para a execução de uma imagem de Nossa Senhora do Monte para ser oferecida, em nome da população madeirense, aos militares em serviço em Damão, que embarcou a 2 de fevereiro de 1958 e ficou depois, a pedido da população, na capela de Nossa Senhora do Mar de Damão Pequeno. Pub. Francisco Lameira, Retábulos no Mundo Português, Promontoria Monográfica, História da Arte 20, Faro, Universidade do Algarve, 2020, p. 100, Portugal