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Arquipelago de Origem:
São Miguel (Açores)
Data da Peça:
2018-02-17
Data de Publicação:
14/12/2025
Autor:
Rancho de Romeiros de São Miguel
Chegada ao Arquipélago:
2025-12-14
Proprietário da Peça:
Rancho de Romeiros de São Miguel
Proprietário da Imagem:
Eduardo Resendes/Açoriano Oriental
Autor da Imagem:
Eduardo Resendes
Rancho de romeiros de São Miguel, 17 de fevereiro de 2018, Ponta Delgada, ilha de São Miguel, Açores

Categorias
    Descrição
    Rancho de romeiros de São Miguel
    Destaque para o jovem romeiro ao centro com um crucifixo de parede com que abre a romaria, com o terço, lenço e xaile.
    Destaque também para as identificações pessoais dos romeiros com fotografia e, quase sempre, um pequeno crucifixo de remate de terço.
    Fotografia de Eduardo Resendes, pub. Açoriano Oriental, Ponta Delgada, 17 de fevereiro de 2018.
    Ilha de São Miguel, Açores

    A prática “Romeiros de São Miguel”, também denominada de romarias quaresmais - outrora designada por Visita às Casinhas de Nossa Senhora - constitui um fenómeno etnográfico de grande interesse, pela originalidade de certos elementos que lhe são inerentes, bem como pela sua persistência ao longo dos séculos. Catástrofes naturais ocorridas nos séculos XVI e XVII, com destaque nos terramotos de 1522 e 1563 e numa das maiores erupções vulcânicas da ilha, em 1630, são acontecimentos na origem desta prática. Com a passagem do tempo, as romarias mistas passaram a ser realizadas somente por homens num tempo delimitado, o da Quaresma. Neste período, os Romeiros de São Miguel, organizados em ranchos por localidades, visitam a pé o maior número de Igrejas e Ermidas da ilha, cantando e rezando. O cumprimento de uma promessa, o agradecimento por uma graça recebida, a penitência, a curiosidade, o desafio e o desejo de transcendência são motivações principais desta manifestação de fé.
    Cada rancho é composto por um Mestre, Contramestre, Procurador das almas, Lembrador das almas, dois Guias, um Cruzado, um ou mais Despenseiros e Ajudantes. Os ranchos de romeiros são heterogéneos em termos etários, otimizando a transmissão de geração em geração, sendo muito interessante a alta percentagem de rapazes bastante novos em tudo trajando como os mais velhos e aos quais, geralmente, cabe o transporte de crucifixos de parede ou de pousar. Existem no total 54 freguesias (2023) com ranchos de romeiros na ilha de São Miguel, aos quais se juntam dois ranchos vindos de duas freguesias da Diáspora: Santa Maria e São Mateus de Toronto, Canadá. O xaile, o lenço, o bordão, a saca ou cevadeira e o terço do Romeiro são as insígnias principais que constituem a identidade do Romeiro de São Miguel. A romaria inicia-se a um sábado e termina no sábado seguinte ou começa no domingo e termina no domingo seguinte. No dia da saída do rancho, antes do alvorecer, os romeiros dirigem-se à igreja principal da freguesia onde é celebrada a “missa da despedida”. A celebração finda com o cântico do “Adeus”, momento em que as famílias se despedem dos romeiros. É neste espírito de união e fraternidade que os romeiros percorrem as estradas, caminhos e veredas da ilha durante oito dias, em etapas diárias de 35 a 40 quilómetros, que perfazem um total de 280 a 300 quilómetros. O percurso é sempre feito no sentido dos ponteiros do relógio, ou seja, tendo o mar à sua esquerda.
    As Romarias Quaresmais têm a sua expressão máxima na ilha de São Miguel, mas também já se realizam nas ilhas Terceira, Graciosa e Santa Maria, assim como na Diáspora (Canadá e Estados Unidos da América). Destacam-se ainda as romarias infantojuvenis realizadas por escolas, com um percurso que dura uma tarde, e as romarias femininas das ilhas de São Miguel e Terceira, que desde 2004 fazem um dia de caminhada. Considerada até meados do século XX uma prática marginal, realizada fora do contexto religioso e institucional devido à imagem de “parente pobre de cultura”, a manifestação “Romeiros de São Miguel” é desde 2025 reconhecida oficialmente como um fenómeno ímpar do património cultural e religioso da Região Autónoma dos Açores.