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Arquipelago de Origem:
Bragança
Data da Peça:
2019-11-00
Data de Publicação:
22/11/2020
Autor:
Câmara Municipal de Bragança
Chegada ao Arquipélago:
2020-11-22
Proprietário da Peça:
Câmara Municipal de Bragança
Proprietário da Imagem:
Câmara Municipal de Bragança
Autor da Imagem:
Câmara Municipal de Bragança
Programa Mascararte dedicado à cultura Makonde de Moçambique, Bragança, novembro e dezembro de 2019, Portugal.

Categorias
    Descrição
    Programa Mascararte dedicado à cultura Maconde de Moçambique.
    IX Bienal da Máscara – Mascararte.
    Câmara Municipal de Bragança, 28 de novembro a 5 de dezembro de 2019, Portugal

    As cores, os ritmos e o calor da cultura Makonde, de Moçambique, juntaram-se aos rituais de inverno Ibéricos, de 28 de novembro a 5 de dezembro de 2019, e fizeram da IX Bienal da Máscara – Mascararte um evento único na valorização do património imaterial. Foram vários os momentos que ajudaram a conhecer melhor este grupo étnico que vive a norte de Moçambique, em particular no planalto de Mueda. Os seus membros dedicam-se, sobretudo, à agricultura e à escultura em madeira. É um povo, acima de tudo, reconhecido por ter resistido às investidas de outros povos africanos, árabes e traficantes de escravos.
    A sua paixão pela vida é talhada nas afamadas máscaras Makonde Lipiko, elemento central de rituais, como o “Mapiko” (uma dança enérgica, cheia de força e expressividade acompanhada ao som de cânticos e tambores, executada nas principais festas e cerimónias do povo e, sobretudo, nos ritos de iniciação dos jovens, homens e mulheres), que são homenageadas na 9.ª edição da Mascararte. Serão quatro dias de festa e folia, com um programa que conta com exposições em locais tão distintos, como o Centro Cultural Municipal Adriano Moreira (1922-), o Centro de Fotografia Georges Dussaud e o Museu Abade de Baçal. Momentos de reflexão e de debate integraram, também, o programa, com a apresentação do “Catálogo da VIII Bienal da Máscara – Mascararte 2017” e as conferências “Máscaras e Rituais de Inverno na Reserva da Biosfera Transfronteiriça da Meseta Ibérica – Perspectivas e oportunidades” e “Shipito – Exame Final”. A homenagem à máscara, através da dança, consta, também, do programa do evento, com o espetáculo “Inverno”, numa coprodução do Teatro Municipal de Bragança e a Companhia de Dança de Almada (Cultura ao Minuto, Bragança, 12:00 - 18/11/19 por Lusa).
    A escultura maconde é uma das artes tradicionais do povo maconde (ou makonde), pertencente ao grupo étnico bantu da região de Cabo Delgado, nordeste de Moçambique e sudeste da Tanzânia, na África. A arte maconde é representada pela música, pela dança e por objetos produzidos em palha entrelaçada, com que são feitos cestos e esteiras. No entanto, a arte maconde mais conhecida é a escultura, em que o material utilizado é o pau preto, madeira extraída de uma árvore do continente africano.
    O pau preto também é conhecido como ébano africano ou ébano moçambicano. Com o uso de serrotes, catanas, machados e outras ferramentas menores, o artesão esculpe em pau preto adereços pessoais, utensílios domésticos, instrumentos e ferramentas para uso doméstico e agrícola, móveis e objetos de arte. As esculturas Macondes têm vários estilos, em que a presença de figuras humanas, animais e seres sobrenaturais é frequente.  Grupos de pessoas ou famílias, às vezes com seus instrumentos de trabalho, são esculpidos em uma só peça de pau preto.  Também há conjuntos maiores de esculturas em que cenários inteiros, como aldeias, são representados em detalhes, peça por peça.
    A escultura maconde é uma das artes moçambicanas de maior reconhecimento nacional e internacional por representar com arte os costumes de um povo através dos tempos. Moçambique, juntamente com a Tanzânia, deverá em breve submeter a candidatura do mapiko à Património Cultural Imaterial da Humanidade como forma de salvaguardar esta dança e música dos povos Makondes que é cada vez menos praticada pelos jovens na Província de Cabo Delgado. O desejo não é novo, contudo, um dos passos iniciais só agora foi dado com a sistematização em livro e CD das origens, história, evolução desta manifestação cultural que incontornável no ciclo vital do povo Makonde e que foram lançados em Maputo na passada sexta-feira (22) pela Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula.
    Embora seja um trabalho que herda do seu antecessor, a nova titular da Cultura e Turismo destacou a importância do trabalho que além de poder salvaguardar a dança mapiko visa, “a curto e médio prazos, assegurar que cada cidadão do Mundo, em qualquer lugar em que se encontre, possa também desfrutar e se deleitar desta preciosidade cultural”. “Por isso estamos empenhados em que possamos, conjuntamente com os nossos irmãos da Tanzânia, inscrever esta manifestação cultural na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade, como recomenda a Convenção da UNESCO, de 2003, sobre a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial. Entendemos que desta forma, estará assegurada a perenidade e sustentabilidade desta dança, para o usufruto das actuais e futuras gerações”, disse Eldevina Materula.
    Paradoxalmente o financiador desta pretensão de Moçambique é um país que em 2019 deixou de ser membro da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). A obra revela que inicialmente “a dança mapiko era praticada nos ritos de iniciação, likumbi, aspecto que corporiza a sua génese sócio-cultural. O surgimento da expressão mapiko para designar esta dança, parece estar também associada a outro acontecimento, xinantuala, que significa roubo de mulheres”. Com o tempo esta expressão cultural, cuja a denominação identifica a máscara, o dançarino mascarado e a música, passou a ser exibida aquando a celebração do primeiro ano após o desaparecimento físico de uma figura emblemática na comunidade.
    O estudo refere que devido ao “processo sócio-histórico caracterizado pela conjugação de influencias exógenas e endógenas contribuiu para a emergência de mudanças e rupturas na comunidade Makonde do Planalto de Mueda. Estas dinâmicas também fizeram-se sentir na prática da dança mapiko”. “(…) Nos tempo actuais, e com base na composição etária dos grupos analisados, verifica-se que o grau de adesão dos mais jovens tem diminuído. Assim, a maioria dos grupos de dança mapiko é composta por pessoas de idade relativamente avançada, o que contribui para a descontinuidade do processo de transmissão do conhecimento relacionado a essa expressão cultural”, conclui o documento que ainda não está disponível na internet. A dança e a escultura são as principais expressões culturais em Moçambique onde existem mais de 6 mil grupos de dançarinos, a maioria nas províncias de Niassa e de Cabo Delgado (Litoral Centro, Carlos Jardim, 25/02/2020).