Procissão marítima de Nossa Senhora da Piedade do Caniçal, Perestrellos, setembro de 1920 (c.), Caniçal, ilha da Madeira.
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Descrição
Procissão marítima de Nossa Senhora da Piedade do Caniçal.
Negativo sobre vidro, gelatina e sais de prata, 13 x 18 cm.
Fotografia Perestrellos Photographos, s/data, setembro de 1920 (c.),
Museu de Fotografia da Madeira-Atelier Vicente's (Inv. PER/5000), em depósito na DRABL.
Caniçal, ilha da Madeira
Até à aluvião de 1803 a devoção dos marítimos da capitania de Machico estava relacionada com a imagem da capela da Piedade do Caniçal, levantada no alto do Monte Gordo, na Ponta de São Lourenço, associada então a pontuais romagens, contando-se alguns casos maravilhosos associados à imagem que se venerava nos finais do século XVII no altar. A capela foi alvo de saque por piratas marroquinos, sendo incendiada e, miraculosamente, o fogo não queimou o pequeno retábulo, somente o tendo enegrecido. As informações sobre romarias a esta capela dadas por Noronha referem ser frequentada por devotos e ter tido antigamente romagens, parecendo assim que, por 1720, tal já não ocorria. No entanto, pelos meados do século XX a devoção recrudesceu, sendo hoje das mais notáveis manifestações religiosas insulares, decorrendo a cerimónia entre o segundo e terceiro fim-de-semana de setembro, com procissão marítima levando a imagem da capela para a matriz do Caniçal, envolvendo então a deslocação de algumas dezenas de embarcações. A procissão tem lugar no sábado e os barcos partem do Caniçal em direção ao porto da Quinta do Lorde, sendo escolhido o barco para transportar a Santa através de sorteio, duas semanas antes da realização da festa. As embarcações param na Quinta do Lorde e os participantes continuam a procissão a pé até a capela, sendo as imagens de Nossa Senhora da Piedade, a pintura antiga e a mais moderna, das oficinas de Ferreira Thedim, então levadas de barco para a matriz do Caniçal para a celebração. No domingo seguinte é feita nova procissão de barco para devolver as Santas à sua capela.