Pote Ming com garças.
Porcelana com decoração azul e branca,
China, dinastia Ming (1368-1644), período Jiajing (1522-1567), 1550 (c.)
Museu Nacional Soares dos Reis, Porto, Portugal.
Este é um de dois grandes potes da dinastia Ming (1368-1644), do período Jiajing (1522-1567), pertencentes ao grande núcleo de porcelanas, que constitui um terço da coleção de cerâmica no MNSR. Entre as peças mais antigas, salientam-se os potes atrás referidos, vários pratos e uma taça também do século XVI.
A China é uma civilização antiga cuja cerâmica é amplamente reconhecida. A proto-porcelana surgiu na China há cerca de 3.500 anos, na dinastia Shang (1600 a.C a 1045 a.C.) e após as dinastias Han (206 a.C. a 220) e Tang (618-907), as técnicas de fabrico da porcelana foram continuamente aprimoradas, atingindo o seu auge nas dinastias Ming (1368-1644) e Qing (1636 e 1644-1912). A cerâmica chinesa tem assim uma longa história e os fornos foram-se expandindo por todo o país, sendo os seus produtos difundidos por todo o mundo. A invenção e o desenvolvimento da cerâmica e porcelana chinesas foram uma enorme contribuição para o engrandecimento da civilização humana.
No início da dinastia Ming, a corte estabeleceu a fábrica do forno imperial em Jingdezhen, na província de Jiangxi, para produzir porcelana. populares. A porcelana produzida por estes fornos populares entrava no sistema do rio Yangtze a partir do rio Changjiang, onde era colocada em barcas e depois comercializada em todo o país. Jingdezhen tornou-se no centro de produção de porcelana na China. Nos finais da Dinastia Ming, muitos artigos de porcelana produzidos nos fornos populares em Jingdezhen foram exportados para a Europa, Japão, Sudeste Asiático e Américas. A porcelana de Jingdezhen granjeou o reconhecimento e a estima internacional, tornando-se nos artefactos chineses mais comummente colecionados por museus de todo o mundo. Segundo o livro intitulado “História de Jiangxi”, redigido durante o período Jiajing da Dinastia Ming, este afirma que, no trigésimo quinto ano do reinado de Hongwu, o governo Ming estabeleceu a fábrica do forno imperial em Jingdezhen, na província de Jiangxi, para produzir porcelana imperial exclusivamente para a corte, sendo enviados supervisores para monitorizarem a produção in situ. Nesse período, Jingdezhen tinha reunido os melhores artesãos da China e tinha recebido a maior quantidade de recursos para o fabrico de porcelana, traduzindo-se numa infinidade de escolhas de novos artigos requintados. Uma vasta gama de esmaltes cerâmicos foram desenvolvidos durante a dinastia Ming, desde os esmaltes monocromáticos, como o verde ervilha, branco doce e escarlate vivo no período do imperador Yongle; vermelho rubi, azul safira, azul polvilhado e porcelana azul e branca no período do imperador Xuande; doucai no período do imperador Chenghua; amarelo no período do imperador Hongzhi; tricolor simples no período do imperador Zhengde, até à porcelana policromática nos períodos dos imperadores Jiajing e Wanli. Todos estes são tesouros inestimáveis da história da cerâmica Chinesa. A porcelana desenvolvida na dinastia Ming, particularmente a porcelana fina produzida em Jingdezhen, impeliu a indústria chinesa da porcelana para o seu zénite.
