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Arquipelago de Origem:
Belém
Data da Peça:
1980-00-00
Data de Publicação:
25/05/2026
Autor:
Zé Manel
Chegada ao Arquipélago:
2026-05-25
Proprietário da Peça:
Agência Portuguesa de Revistas
Proprietário da Imagem:
Zé Manel
Autor da Imagem:
Zé Manel
Poster de Os 7 Magníficos candidatos a Belém, desenho de Zé Manel e texto de António Gomes de Almeida, Lisboa, Agência Portuguesa de Revistas, 1980, Portugal.

Categorias
    Descrição
    Os 7 Magníficos candidatos a Belém.
    (Miss Bethlém)
    Poster com desenho de Zé Manel (1944-2019) e textos interiores de António Gomes de Almeida
    Lisboa, Agência Portuguesa de Revistas, 1980, Portugal

    Tratavam-se de figuras com grande destaque político naqueles anos seguintes ao 25 de Abril de 1974 e que perfilavam para concorrer à presidência da República, ao palácio de Belém, entre os quais Manuel Alegre (1936; -, PS) e Carlos Brito (1933-2026, PCP), vários militares, como o brigadeiro Otelo Saraiva de Carvalho (1936-2021),  os generais Ramalho Eanes (1935;-), António Soares Carneiro (1928-2014) e Galvão de Melo (1921-2008), e o brigadeiro António Pires Veloso (O Rei do Norte, 1926-2014, tio de Rui Veloso, 1957), tal como depois nas pranchas interiores, alguns dos políticos ligados a partidos que os apoiavam, nomeadamente Álvaro Cunhal (1913-2005, PCP), Diogo Freitas do Amaral (1941-2019, CDS) e Francisco de Sá Carneiro (1934-1980, PPD). E pela leitura de sete destes nomes se percebe que o título "Os 7 Magníficos Pretendentes" não era inocente: referia-se exatamente aos sete candidatos que, na época, aspiravam à Presidência da República. Três dias antes das eleições, a 4 de dezembro de 1980, um estranho acidente de avião sobre Camarate, ceifaria as vidas de Sá Carneiro e dos seus acompanhantes. Nas eleições de 7 de dezembro confirmou-se a recandidatura de Ramalho Eanes, que voltaria a ganhar (56 % dos votos), de Soares Carneiro (40 %),  Otelo Saraiva de Carvalho (1,49 %), Galvão de Melo (0,84 %) e Pires Veloso (0,78 %), acabando por não concorrer Manuel Alegre (PS) e Carlos Brito (PCP).
    Zé Manel, pseudónimo de José Manuel Domingues Alves Mendes (Lisboa, 22 jan. 1944; Idem, 24 jan. 2019), foi cartunista, ilustrador e criador de banda desenhada português, Filho de António Alves Mendes (Méco, c. 1920, já uma referência em 1940), Zé Manel tinha o curso de desenhador-gravador-litógrafo na Escola de Artes Decorativas António Arroio, escola à qual sempre atribuiu especial referência na sua formação. Entre as muitas publicações para as quais trabalhou, contam-se o Diário de Notícias de Lisboa, o Jornal do Exército, a Rádio & Televisãoas Flores e o Sol, que foi editado no Japão e, em abril de 2005, criou Futurológica, uma banda desenhada a cores para o jornal Mundo Universitário. Entre as muitas obras para a infância por si ilustradas, destaca-se a edição original de "O Soldado João", uma história anti belicista de Luísa Ducla Soares (1939-), que, em 1973, inaugurou a coleção Cor Infantil da Editorial Estúdios Cor, então dirigida por José Saramago (1922-2010). A história, com o seu apelo à paz, concebida originalmente para o suplemento infantil do Diário Popular, fora ali proibida pela censura. Fez muitas capas e muitos bonecos para a “Bomba H” (1963 a 1978), para “A Chucha” (1975) e para “O Cágado” (1978). Mostrou amplamente a sua veia humorística na revista “Rádio & Televisão”,O Emigrantee Fungagá da Bicharada. Ilustrou os livros “Manual da Má-Língua” (publicado antes do 25 de Abril, e devidamente apreendido pela Censura), e “Os Salazarentos”, que saiu em 1975, além dos 4 álbuns das “Histórias do Renato, um Menino muito Chato”. Uma parte da sua obra foi apresentada em "Eros Uma Vez..." nome dado à exposição organizada por Osvaldo Macedo de Sousa (1954-), com trabalhos do Zé Manel, a 13 de março de 2014, na BD Amadora, onde, em 2011, recebera o Prémio de Honra (dados António Gomes de Almeida, de jan. 2018 e pub. jan. 2019).