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Arquipelago de Origem:
Santo da Serra
Data da Peça:
2015-08-21
Data de Publicação:
Autor:
Natural
Chegada ao Arquipélago:
2021-10-07
Proprietário da Peça:
Região Autónoma
Proprietário da Imagem:
Raimundo Quintal
Autor da Imagem:
Raimundo Quintal
Pombo-trocaz sobre um loureiro, fotografia de Raimundo Quintal 2015, Santo da Serra, ilha da Madeira

Categorias
    Descrição
    Pombo-trocaz sobre um loureiro.
    Columba trocaz (Heinequen 1829)
    Fotografia de Raimundo Quintal, 21 de agosto de 2015
    Campo de Educação Ambiental do Santo da Serra - Eva e Américo Durão, Santo da Serra, ilha da Madeira.

    Pombo-trocaz, pombo-escuro-da-serra, pombo-da-madeira ou pombo-preto, Columba trocaz (Heineken 1829) Espécie endémica cuja ocorrência está restrita à ilha da Madeira. Embora esteja frequentemente associada à floresta laurissilva, tornou-se comum observá-la em áreas de floresta mista, áreas agrícolas e meios rurais. Em 2015, tinha uma população superior a 10.000 indivíduos. A sua alimentação é essencialmente composta por bagas e frutos das árvores da laurissilva, alimentando-se também de folhas e flores de plantas mais pequenas. Durante o inverno, frequentemente procura alimento nas áreas limítrofes da floresta, onde se alimenta de couves e nas árvores de fruto. Por esta razão, continua a haver conflitos entre esta ave e alguns agricultores, em especial devido aos elevados prejuízos causados nos campos agrícolas.
    Semeadores de loureiros
    Os pombos-trocazes (Columba trocaz), que se refugiaram no Campo de Educação Ambiental do Santo da Serra - Eva e Américo Durão durante o período de caça, estão felizes e nós também. Desde Agosto tem havido fartura de comida. Os frutos dos loureiros (Laurus novocanariensis) são muitos e estão maduros. Logo pela manhã e ao fim da tarde é gostoso observar os grandes e belos columbídeos, sobrevoando as copas das lauráceas que povoam a nossa mata em busca do seu alimento predilecto. Depois, enquanto descansam nos ramos altos, completam a digestão, libertando para o solo as sementes que germinarão com imensa facilidade.
    Graças ao trabalho gratuito destes amigos semeadores, no Outono e Inverno nascerão incontáveis loureiros, essenciais no processo de restauração do ecossistema. Depois de terminarem os frutos dos loureiros, o que vão comer os pombos-trocazes?
    Vão invadir os terrenos agrícolas e arrasar as culturas! Argumentarão os defensores da caça desta espécie endémica da Madeira e protegida por legislação da União Europeia. O convívio de muitos anos com esta ave, fundamental para a integridade da Laurissilva, possibilitou-nos observá-la a procurar uma dieta alternativa no interior da floresta. Por exemplo, gostam das folhas tenras das estreleiras (Argyranthemum pinnatifidum subsp. pinnatifidum). Prevendo a falta de alimento no Inverno, estamos a semear e a plantar estacas desta espécie arbustiva endémica, de crescimento rápido, em todo o Campo, mas com especial incidência perto dos lagos e do riacho onde os pombos vão saciar a sede. Também estamos a fazer uma intensa sementeira de aipo-da-serra ou aipo-do-gado (Melanesolinum decipiens), uma herbácea endémica, cujas folhas tenras são muito apreciadas pelos semeadores de loureiros.
    Raimundo Quintal, 30.09.2021