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Arquipelago de Origem:
Lisboa (cidade)
Data da Peça:
1983-00-00 00:00:00
Data de Publicação:
07/09/2021
Autor:
Alberto Figueira Gomes
Chegada ao Arquipélago:
2021-09-07
Proprietário da Peça:
Privado
Proprietário da Imagem:
Biblioteca Breve
Autor da Imagem:
Biblioteca Breve
Poesia e dramaturgia populares no séc. XVI - Baltasar Dias, Alberto Figueira Gomes, Biblioteca Breve, Lisboa, Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, 1983, Portugal.

Categorias
    Descrição
    Alberto Figueira Gomes (1912-1986), Poesia e dramaturgia populares no séc. XVI - Baltasar Dias.
    Biblioteca Breve, Lisboa, Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, 1983, Portugal.

    O nome mais importante do teatro madeirense deve ser o de Baltazar Dias, do qual pouco se sabe, apesar de ter tido grande nomeada no seu tempo como poeta e autor de vários autos, que as classes populares liam avidamente e de que se fizeram muitas edições. Vagamente consta que nasceu na freguesia de Santana e presume-se que tivesse passado uma parte considerável da sua vida no continente do reino, onde faleceu em ano que não podemos determinar. Diz Barbosa Machado na sua Bibliotheca Lusitana que foi um dos "célebres poetas que floresceram no reino del-rei D. Sebastião, principalmente na composição de autos, com a circunstância de ser cego de nascimento". A sua obra mais editada teria sido A Tragédia do Marquês de Mântua, a que se segue o Auto do Nascimento, o Auto de Santa Catarina e o Auto de Santo Aleixo. Conhecem-se, depois outras, com edições mais tardias, mas como sendo de sua autoria, assunto sempre discutível, como o Auto Breve da Paixão de Cristo, 1613, os Conselhos Para Bem Casar, 1638, o Auto da Malícia das Mulheres, 1640 e a História da Imperatriz Porcina, 1660. Encontram-se ainda atribuídas o Auto do Príncipe Claudiano, que figurava no Index de 1624, as Trovas de Arte Maior à Morte de D. João de Castro, de 1548 e o Auto da Feira da Ladra, mas obras hoje perdidas.
    A sua importância é hoje atestada por ter entrado no folclore do interior do Brasil, onde a referência ao nome feminino Porcina é comum, para além de várias representações inspiradas nas suas peças e, muito especialmente, na ilha de São Tomé, onde a representação teatral de A tragédia do marquês de Mântua e do Imperador Carlos Magno é conhecida por Tchiloli, nome quase símbolo de teatro, cuja representação dura quase quatro horas, logicamente dentro de um arranjo de cariz popular e folclórico. A peça foi introduzida em São Tomé e Príncipe no fim do século XVI pelos portugueses que vieram implantar a cultura de cana-de-açúcar e assim, muito provavelmente, por madeirenses. As companhias teatrais, denominadas Tragédia, que dão as representações de Tchiloli, são constituídas por cerca de trinta pessoas: todos homens que desempenham também os papéis de mulheres, tal como aconteceu até ao século XVIII. Os papéis são hereditários, cada um dos atores possui o seu papel durante toda a vida e transmite-o aos seus filhos, sobrinhos ou afilhados, dentro da tradição africana.
    Pub. por Isabel Stephan, Ângela Borges e Rui Carita in Antologia Literária. Madeira, Sécs. XV e XVI, SER, Funchal, 1986, p. 225.