Paisagem Algarvia, óleo de Eduardo Viana, 1925, coleção Novo Banco, em depósito no Palácio de Belém, em Lisboa, Portugal.
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Descrição
Paisagem Algarvia,
Óleo sobre tela, 130 x 200 cm.
Eduardo Viana (1881-1967), 1925.
Pintura encomendada em 1925, juntamente com uma paisagem de Sintra, para a decoração da Brasileira do Chiado. Obra marcante no percurso artístico de Viana como paisagista, integra de um modo muito próprio e individualizado, influências de Cézanne, do cubismo e do Fauvismo. Em primeiro plano, a topografia da paisagem surge em manchas de cor, num equilíbrio de figuração abstrata de rosas, ocres amarelos e verdes, em pinceladas e empastamentos espessos, nos quais se adivinha a morfologia da terra e se descobre o contraste da vegetação no seu leque de matizes verdes. Até ao horizonte desenrolam-se os vários planos cromáticos, em contrastes de luz e sombra que conduzem ao casario longínquo e à profundidade de um céu agitado pela escala das nuvens e pela justaposição de azuis, numa perspetiva movimentada e quase palpável.
Coleção Novo Banco, em depósito no Palácio de Belém, Lisboa e hoje (2026), na sala de receção e visitas do Presidente da República, Portugal
Eduardo Afonso Viana (1881; 1967) fez o curso de Pintura da Escola de Belas-Artes de Lisboa e em 1905 foi para Paris, onde se tornou amigo de Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918) e, juntamente com Amadeo e o casal Robert (1885-1945) e Sonia Delaunay (1885-1979), desenvolveu em 1916 o cromatismo tímbrico. Não chegou nunca a realizar pinturas abstractas, mas no início dos anos 20 proclamava-se cubista. O sentido moderno da cor permitiu-lhe entender a obra de Cézanne (1839-1906). Eduardo Viana realizou a sua 1ª exposição individual no Porto, na Galeria da Misericórdia, em 1920 e, em 1921 outra, em Lisboa. Nesta cidade realizará a sua terceira e última exposição individual, em 1923. Neste ano colabora em Lisboa, na exposição dos Cinco Independentes (Dórdio Gomes, Henrique e Francisco Franco, Alfredo Migueis e Diogo de Macedo). Organizou o primeiro Salão de Outono na Sociedade Nacional de Belas Artes (SNBA), em 1925, exposição que marcou uma nova fase artística no país e, logo em 1926, participa no segundo Salão de Outono, ao lado de António Soares, José Tagarro e Carlos Botelho, entre outros. Entre 1930 e 1940, Viana reside durante longos períodos em Paris e Bruxelas. Em 1965 recebe o Prémio Nacional de Arte do Secretariado Nacional de Informação e, em 1967, participa na Exposição Internacional de Bruxelas.
No momento em que o naturalismo constituía o gosto da classe dominante em Portugal, os quadros de Viana foram os primeiros quadros modernos a ser apreciados. Para além dos sistemas cromáticos naturalistas e cézannianos, Viana acentuou a marca do seu sensualismo, dando a esta paisagem um aspecto quase tropical (texto de Pedro Dias, pub. in Marcos da Arte Portuguesa, Pub. Alfa, Lisboa, 1986, n.º 123).