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Arquipelago de Origem:
Ordem de Cristo, 700 Anos, bloco do selo comemorativo, Convento de Cristo, Tomar, outubro de 2019, Portugal.
Data da Peça:
2019-10-00
Data de Publicação:
16/03/2021
Autor:
CTTs, Duarte de Armas e Álvaro Pires, 1509
Chegada ao Arquipélago:
2021-03-16
Proprietário da Peça:
CTTs
Proprietário da Imagem:
CTTs
Autor da Imagem:
CTTs
Ordem de Cristo, 700 Anos, bloco do selo comemorativo, Convento de Cristo, Tomar, outubro de 2019, Portugal.

Categorias
    Descrição
    Ordem de Cristo, 700 Anos.
    Bloco e selo comemorativo dos CTT Portugal
    Convento de Cristo, Tomar, outubro de 2019, Portugal

    Face à extinção dos Templários, o rei D. Dinis (1261-1325) fundou a Ordem de Cristo, como continuadora da Ordem do Templo, confirmada em Avignon pelo então papa João XXII, através da bula Ad ea exquibus de 14 de março de 1319. Assim, todos os cavaleiros e bens da primitiva Ordem foram transferidos para a nova Ordem de Cristo, que assentou a sua sede no castelo de Castro Marim, no Algarve, na fronteira com a Andaluzia e em apoio ao reino de Sevilha, reconquistado em 1248. Em 1357, na sequência da batalha do Salado, de 1340, que assegurou o domínio cristão na área, a sede foi transferida para Tomar, regressando ao ponto de partida.
    Com a transferência dos bens para a Ordem de Cristo, os Templários viram garantida a continuação da sua atividade. Registe-se que, de certa forma, nada diferenciava a Ordem de Cristo da antiga Ordem do Templo. Nem mesmo o seu nome: Ordem de Cavalaria de Nosso Senhor Jesus Cristo (Ordo Militiae Jesu Christo), que equivale ao nome original da Ordem do Templo: Ou Comilitionum Christi, isto é, Cavaleiros de Cristo, conforme reza o prólogo à Regra templária, redigido no Concílio de Troyes. O hábito, inclusivamente, permaneceu o mesmo e a própria insígnia, a cruz potenteada, recebeu apenas uma ligeira alteração, com o seu interior preenchido por uma cruz grega, branca. Mais tarde, os extremos da cruz vão ser modificados, transformando-se a cruz pátea, arredondada, na atual Cruz de Cristo, que assume, simbolicamente, com D. Manuel, governador da Ordem, um valor idêntico ao da insígnia real (o escudo de Portugal) e ao do seu corpo de empresa (a esfera armilar). A Ordem de Cristo refundou assim a Ordem do Templo e, de entre todos os casos de manutenção dos bens templários e de continuação da sua vocação, este terá sido, porventura, em toda a Europa, o caso mais singular de reencontro da vocação inicial com os novos tempos da Alta Idade Média e, depois da Idade Moderna. Com a nomeação de D. Gil Martins como mestre, igualmente mestre da Ordem de Avis, foi-lhe dada como regra a cisterciense, aspeto que séculos antes já se aflorara na fundação da inicial Ordem dos Templários, sendo superior espiritual da Ordem de Cristo o abade de Alcobaça, definindo Gil Martins que, depois da sua morte, os novos monges elegessem um seu mestre próprio.  
    A 11 de junho de 1321, um capítulo reunido em Tomar adotou então a regra da Ordem de Calatrava, o que resolvia quaisquer matérias de pendência espiritual e de obediência, mantendo-se na esfera da cavalaria. Depois do exercício de 7 mestres da Ordem até 1417, o cargo de mestre passou a ser desempenhado pelos dignitários da Casa Real por nomeação depois com aval papal, passando a ostentar o título de Governadores e Administradores.
    Com a subida à administração da Ordem de Cristo do duque D. Manuel (1469-1521), de imediato foi determinada a reformulação do tecido urbano do Funchal para equipar a vila dos edifícios necessários, sendo enviado um pelourinho e determinando-se a partilha do antigo campo do infante e duque D. Fernando (1433-1470) para a construção dos paços do concelho e de uma igreja grande, depois terminada já para futura catedral. Com a subida ao trono de Portugal de D. Manuel, a Ordem de Cristo e a ilha da Madeira, tal como os demais domínios portugueses, eram integrados na Coroa. Num curto espaço de tempo, o território da capitania do Funchal era partilhado por mais duas vilas, Ponta do Sol e Calheta. Estando, entretanto, levantadas as paredes da então igreja grande, o rei D. Manuel elevou a antiga vila a cidade, prevendo-se, assim, a sua elevação a sede de um futuro bispado, no qual foram integrados os vastos territórios ultramarinos portugueses. No sentido de não ferir suscetibilidades, para bispo do Funchal era apresentado D. Diogo Pinheiro (Barcelos? c. 1450-Tomar, 1525), grão-abade da Ordem de Cristo em Tomar.
    Ao longo destes anos toda a sede da Ordem de Cristo foi reformulada, tornando-se numa ordem essencialmente nobiliárquica, ação confirmada por D. João III (1502-1557), que conseguiu autorização papal para a partilha dos seus importantes apanágios territoriais em comendas. Ao mesmo tempo, também o vasto espaço da diocese do Funchal era partilhado pelas dioceses de Angra, nos Açores, Ribeira Grande, em Cabo Verde, Goa, na Índia e Baía, no Brasil. Numa primeira fase, o bispo do Funchal foi elevado a arcebispo, mas depois as novas dioceses ficavam sufragâneas da arquidiocese de Lisboa.