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Arquipelago de Origem:
Ribeira Brava
Data da Peça:
2022-03-22
Data de Publicação:
23/03/2022
Autor:
Ana Isabel Portugal
Chegada ao Arquipélago:
2022-03-23
Proprietário da Peça:
AAMQC
Proprietário da Imagem:
AAMQC
Autor da Imagem:
AAMQC
Olhar Acrescentado. A Lapinha do Caseiro - Um mundo feito a canivete, visita virtual de Ana Isabel Portugal, AAMQC, 20 mar. 2022, ilha da Madeira

Categorias
    Descrição
    Olhar Acrescentado. A Lapinha do Caseiro - Um mundo feito a canivete.
    Com autorretrato do autor, Francisco Ferreira (1848-1931), em primeiro plano
    Visita virtual por Ana Isabel Portugal da exposição no Museu Etnográfico da Madeira, 20 mar. 2022.
    Associação dos Amigos do Museu Quinta das Cruzes,
    Ribeira Brava, ilha da Madeira

    A mais célebre lapinha da Madeira teria sido a do Caseiro do Monte. Francisco Ferreira (1848-1931), por alcunha "o Caseiro", dado ter sido caseiro das freiras de Santa Clara, construiu ele próprio a sua lapinha, em madeira entalhada a canivete e depois pintada com tintas que o próprio fabricava, tendo esculpido as suas primeiras imagens aos 14 anos de idade. Viria a casar com Maria Augusta Fernandes (1851-1937), natural da Calheta, a qual lhe lia as passagens da Bíblia onde se viria a inspirar para as suas esculturas, pois que nunca aprendera a ler. Escultor de cariz popular, soube captar os tipos e costumes da sua área, tornando assim a sua lapinha num dos centros de atração da freguesia do Monte e, depois do Funchal e da ilha da Madeira, acabando por entrar na tradição regional, não se entendo quase um natal na 1ª metade do séc. XX, sem uma visita à lapinha do caseiro. Todos os anos apareciam novos trabalhos, alguns articulados, fruto dos acontecimentos do ano, das "bilhardices", etc. que tornavam esta lapinha centro de uma verdadeira romaria regional e levando o autor a construir no seu quintal, em 1925, uma pequena capela onde se expunha a lapinha. Falecido "o Caseiro" a 13 de junho de 1931, a lapinha ainda ficou patente alguns anos, até que um incêndio, em 1973, destruiu a pequena capela anexa à casa. A família, no entanto, havia já retirado a quase totalidade das imagens, num conjunto de cerca de 3 centenas de peças, parte das quais depois depositadas no Museu de Arte Sacra do Funchal pelos herdeiros e, nessa sequência, transferidas para o Museu Etnográfico da Madeira, na Ribeira Brava.
    Bibliografia: Lapinha do Caseiro de Francisco Ferreira, com poemas de Herberto Helder (1930-2015), neto do Caseiro, fotografias de Ricardo Jardim e colaboração de Lourdes Castro (1930-2022), Lisboa, Assírio & Alvim, 2008