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Arquipelago de Origem:
Funchal
Data da Peça:
1904-10-08
Data de Publicação:
16/08/2026
Autor:
Dr. Pedro Pereira Drummond
Chegada ao Arquipélago:
2026-08-09
Proprietário da Peça:
ABM
Proprietário da Imagem:
ABM
Autor da Imagem:
ABM
O Alluvião de 1803, texto do Dr. Pedro Pereira Drummond, in Diário de Notícias, direção de António André Martins, Funchal, 8 de outubro de 1904, p. 2, ilha da Madeira.

Categorias
    Descrição
    O Alluvião de 1803.
    Transcrição de texto do Dr. Pedro Pereira Drummond (1760-1825)
    In Diário de Notícias, direção de António André Martins (), Funchal, 8 de outubro de 1904, p. 2.
    Coleção de Jornais, DN, Arquivo Regional da Madeira.

    João Pedro de Freitas Pereira Drumond (1760-1825). Nascido a 5 de julho de 1760, na freguesia da Sé do Funchal, segundo os registos paroquiais, embora quase todas as biografias indiquem Câmara de Lobos como o lugar do seu nascimento, João Pedro de Freitas Pereira Drumond era filho do Cap. José Luís de Freitas Silva Nunes Pereira e de Inácia Caetana Escórcio Drumond, que faleceu tinha ele três meses. Após esse acontecimento, terá permanecido em casa de Francisca Maria Xavier de Freitas, sua tia paterna, que ele descreveu como a “segunda Mãe e boa amiga” no testamento de 1821 (GUERRA, 1993, 181). Estudou Leis na Univ. de Coimbra, onde concluiu o bacharelato. Em 1786, celebrou casamento com Ana Inês Cardoso de Melo, não deixando descendentes. João Pedro de Freitas Drumond foi um advogado preeminente no Funchal e, devido à sua pequena estatura, tinha a alcunha de “dr. piolho”. Foi procurador fiscal do Juízo da Provedoria dos Resíduos e Capelas e advogado da Real Confraria do Santíssimo Sacramento da Sé do Funchal, desenvolveu ainda a atividade de procurador da Junta da Real Fazenda do Funchal bem como a de letrado na Santa Casa da Misericórdia do Funchal, e o Juízo dos Órfãos designava-o frequentemente para a função de curador de menores. A Câmara do Funchal atribuiu-lhe a tarefa de redigir um documento sobre a aluvião de outubro de 1803 e as suas terríveis consequências no Funchal para conservar a memória do episódio, texto que foi publicado pela primeira vez em 1840, no periódico funchalense A Flor do Oceano (9 e 16 abr. 1840), com o título “Narração da chuva de 9 de outubro de 1803”. Foi também publicado no Diário de Notícias do Funchal a 8 de outubro de 1904. Na Câmara, João Pedro Drumond foi almotacé e guarda-mor da Saúde, de forma alternada, a partir de 1807 e foi designado para vereador em dezembro de 1820. Mais tarde, substituiu, provisoriamente, o juiz de fora, cumprindo assim o seu dever legal enquanto vereador mais velho. Em 1790, procurou incentivar o desenvolvimento da Ilha no que diz respeito à agricultura, mediante a fundação de uma sociedade, mas este projeto não pôde ser concretizado e, segundo Jorge Valdemar Guerra, tal empreendimento “seria, por certo, irrealizável e manifestamente adverso para os mercadores ingleses que controlavam, em grande escala, a exportação vinícola e a importação de víveres” (GUERRA, 1993, 182). João Pedro Drumond dedicou-se também à pesquisa histórica e foi presidente da Sociedade Funchalense dos Amigos das Sciencias e Artes, que abriu a primeira biblioteca pública na Ilha. Esta Sociedade foi criada em 1822 e extinta em novembro de 1823 por decisão dos sócios devido à reimplantação da autoridade absolutista. Drumond fez ainda parte da direção da “Associação Funchalense, para o ensino mútuo”, a qual procurava contribuir para a (1) implementação do método de ensino lancasteriano e para a educação dos sectores humildes da sociedade (AHU, Conselho Ultramarino, Madeira, Correspondência da Madeira-CA, cx. 25, doc. 7022). Há registo de, em 1792, o seu pai, suspeitando de que ele fazia parte da maçonaria e receando ser excomungado, o ter denunciado à Inquisição. Além disso, também em ofícios de outubro e dezembro de 1823 e de janeiro de 1824, numa época de vigilância e de repressão dos liberais, João Pedro Drumond aparece identificado em listas de pessoas que se acreditava pertencerem a lojas maçónicas, chegando a ser descrito como um acérrimo defensor do constitucionalismo e considerado uma ameaça (AHU, Conselho Ultramarino, Madeira, Correspondência da Madeira-CA, cx. 26, docs. 7229, 7230, 7283, 7390). Embora se tenha mostrado apoiante do constitucionalismo durante o regime liberal, Drumond também fora (à semelhança daqueles que desempenharam cargos na Câmara no regime anterior) duramente criticado por defensores do constitucionalismo no periódico O Patriota Funchalense, tendo deixado de integrar a Câmara em novembro de 1822. Depois do triunfo da reação absolutista, regressou em julho de 1823, com o retorno do antigo corpo camarário, por decisão régia de âmbito geral, tendo, contudo, permanecido como vereador somente até ao fim de dezembro e desempenhado o cargo de almotacé em janeiro do ano seguinte. Faleceu a 9 de março de 1825.
    Entre os seus escritos, encontram-se “Esboço de um plano para uma Sociedade a beneficio da Agricultura da Ilha da Madeira que se intentava estabelecer pelos annos de
    1790”, redigido em 1813 e publicado no periódico A Flor do Oceano (23 e 30 de abril, e 8 e 16 de maio de 1840); “Noticias mineralogicas da ilha da Madeira”, texto publicado no Investigador Portuguez, n.º LXXXIII, em maio de 1818; Arvores de Costado de Familias da Ilha da Madeira, uma extensa obra manuscrita de 1818, que apresenta 620 árvores genealógicas; e Documentos Historicos e Geographicos sobre a Ilha da Madeira, que contém uma versão não final do texto sobre a aluvião de outubro de 1803 e inclui também importantes informações sobre a história do povoamento da Ilha. Escreveu igualmente “Memoria sobre algumas materias de Estatistica da Provincia da Madeira que podem servir para a sua Historia”, um texto que se inscreve no âmbito da história económica e social da Madeira (desde o momento em que foi povoada até ao início do séc. XIX) e que, em 1822, foi apresentado à Sociedade Funchalense dos Amigos das Sciencias e Artes na sua primeira sessão pública. Este escrito foi publicado em 1840 nos periódicos do Funchal O Defensor (15, 22 e 29 de fevereiro, e 7 e 21 de março) e A Flor do Oceano (20 de fevereiro, e 5 e 12 de março) e pode ser lido no artigo “Uma Memória de 1822 do funchalense João Pedro Drumond (1760-1825)”, de Jorge Valdemar Guerra. João Pedro (2). Drumond escreveu também artigos em O Patriota Funchalense e foi ainda autor de poesia, o que se verifica nos documentos oferecidos por Joaquim Pedro Cardoso Casado Giraldes à Academia das Ciências de Lisboa.
    Obras de João Pedro de Freitas Pereira Drumond: Arvores de Costado de Familias da Ilha da Madeira (s.d.), Documentos Historicos e Geographicos sobre a Ilha da Madeira (s.d.), “Noticias mineralogicas da ilha da Madeira” (1818), “Esboço de um plano para uma Sociedade a beneficio da Agricultura da Ilha da Madeira que se intentava estabelecer pelos annos de 1790...” (1840), “Memoria sobre algumas materias de Estatistica da Provincia da Madeira que podem servir para a sua Historia” (1840), “Narração da chuva de 9 de Outubro de 1803” (1840). Bibliog.: manuscrita: AHU, Conselho Ultramarino, Madeira, Correspondência da Madeira-CA, MADEIRA-CA, cx. 25, doc. 7022, Regulamento da “Associação Funchalense, para o Ensino Mútuo”, 21 dez. 1821; Ibid., cx. 26, doc. 7229, Ofício do Conselheiro, José de Melo Freire, para o Ministro da Justiça, Manuel Marinho Falcão de Castro, Comunicando-lhe o Resultado da Comissão Que Fora Mandado Desempenhar na Ilha da Madeira, 31 out. 1823; Ibid., cx. 26, doc. 7230, Relação dos Pedreiros Livres, Que pelas Testemunhas da Devassa da Alçada e Sumário Apenso Se Verifica ou Indicam Sócios das Lojas Maçónicas, Estabelecidos na Cidade do Funchal, 20 out. 1823; Ibid., cx. 26, doc. 7283, Ofício do Corregedor, Manuel José Soares de Lobão e Albergaria, Dando Uma Larga Informação ao Conde de Subserra sobre as Sociedades Secretas na Ilha da Madeira, 9 dez. 1823; Ibid., cx. 26, doc. 7390, Ofício do Corregedor, Manuel José Soares Lobão e Albergaria, Dando Informações acerca dos Principais Maçons Filiados nas Lojas da Ilha da Madeira, e sobre a Administração Financeira da Junta da Fazenda. “Nomes dos Maçons a Que Se Refere”. Nicolau Maria Passalaqua, João Pedro de Freitas Drumond, João Agostinho Pereira de Agrella, Francisco Ferreira de Abreu e Lourenço José Moniz, 13 jan. 1824; impressa: ALMEIDA, Eduardo de Castro e (org.), Archivo de Marinha e Ultramar. Inventario. Madeira e
    Porto Santo, vol. II, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1909; CLODE, Luiz Peter, Registo BioBibliográfico de Madeirenses. Sécs. XIX e XX, Funchal, Caixa Económica do Funchal, 1983; GUERRA, Jorge Valdemar, “Uma Memória de 1822 do funchalense João Pedro Drumond (1760-1825)”, Islenha, n.º 12, jan.-jun. 1993, pp. 181-208; LOJA, António Egídio Fernandes, A Luta do Poder contra a Maçonaria. Quatro Perseguições no Séc. XVIII, [Lisboa], INCM, 1986; MACHADO, João Franco, “No espólio de Casado Giraldes”, Arquivo Histórico da Madeira, vol. VII, n.º 2, 1949, pp. 123-125; MARINO, Luís, Musa Insular. (Poetas da Madeira), Funchal, Editorial Eco do Funchal, [1959]; PORTO DA CRUZ, Visconde do, Notas & Comentários para a História Literária da Madeira, vol. II, Funchal, Câmara Municipal do Funchal, 1951; RODRIGUES, Paulo Miguel, A Madeira entre 1820 e 1842: Relações de
    Poder e Influência Britânica, Funchal, Empresa Municipal Funchal 500 Anos, 2008; SILVA, Fernando Augusto da, e MENESES, Carlos Azevedo de, Elucidário Madeirense, vols. I e III, Funchal, DRAC, 1998; VIEIRA, Gilda França, e FREITAS, António Aragão de, Madeira. Investigação Bibliográfica, vol. I, Funchal, DRAC/Centro de Apoio de Ciências Históricas, 1981.
    (Bárbara Henriques Silva, DEM 4)