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Arquipelago de Origem:
Freguesia da Sé (Funchal)
Data da Peça:
1974-04-27
Data de Publicação:
03/01/2026
Autor:
Diário de Notícias
Chegada ao Arquipélago:
2026-01-03
Proprietário da Peça:
ABM
Proprietário da Imagem:
ABM
Autor da Imagem:
ABM
Notícia de que "ilustres viajantes" se encontravam na Madeira, ou seja, os ex-governados apaeados com o 25 de abril de 1974, "Diário de Notícias", Funchal, 27 de abril de 1974, p. 1, ilha da Madeira.

Categorias
    Descrição
    Encontram-se na Madeira os Srs. Almirante Américo Thomaz, Professor Marcello Caetano e os antigos Ministros da Defesa e Interior.
    Notícia de que os ilustres viajantes tinham sido recebidos no aeroporto pelos governadores civil, militar, substituto, etc.
    Diário de Notícias, direção de Alberto Araújo (1892-1976), Funchal, 27 de abril de 1974, p. 1.
    Arquivo Regional da Madeira, Coleção de Jornais, DN, Funchal, ilha da Madeira.

    Américo de Deus Rodrigues Thomaz (Lisboa, 19 nov. 1894; Cascais, 19 set. 1987) foi um dos seis filhos de António Rodrigues Tomás (1847-1928), negociante, e de Maria da Assunção Tomás (1862-1917). Ingressando na Escola Naval em 1914, logo após a entrada de Portugal na I Guerra Mundial, foi colocado na Escola de Torpedos, sendo mobilizado, pouco depois, para escoltar os comboios marítimos que se dirigiam ao norte de França e a Inglaterra e, em outubro de 1919, entra para os Serviços Hidrográficos do Ministério da Marinha. Em 1922 casou-se com Gertrudes Ribeiro da Costa (1894-1991), casamento de que houve duas filhas e um filho. Em 1940, acumulando com a chefia do gabinete do Ministro da Marinha, preside a Junta Nacional da Marinha Mercante. Ministro da Marinha desde set. 1944, Américo Tomás, fruto da sua enorme experiência em questões marítimas e piscatórias, promulga diplomas fundamentais para a renovação e expansão da Marinha Mercante. Em 1950, não tendo sido informado da profunda remodelação governamental, demonstra o seu desacordo para com as alterações propostas e coloca o seu lugar à disposição. Perante a sua decisão, o Presidente do Conselho, António Salazar (1889-1970) recua e Américo Tomás aceita permanecer no cargo. Nessa sequência, seria o candidato do Estado Novo para defrontar o general Humberto Delgado (1906-1965) nas eleições de 1958 e, alteradas as condições da eleição presidencial, seria sucessivamente reeleito em 1965 e 1972. Durante os cerca de 16 anos na Presidência da República, destacam-se dois momentos em que a sua intervenção é decisiva: a Abrilada de 1961, quando um grupo de oficiais liderado pelo general Júlio Botelho Moniz (1900-1970) pretendeu a substituição de Oliveira Salazar e, depois, em 1968, face à incapacidade, então a sua substituição por Marcelo Caetano (1906-1980). Nos últimos anos da Ditadura assume a prossecução da política ultramarina e do esforço de guerra. É destituído do cargo com Revolução de 25 de Abril de 1974, tendo de se refugiar com a família e alguns elementos da sua Casa Militar no Forte da Giribita, em Caxias. No dia seguinte segue para a Ilha da Madeira, partindo depois para o exílio no Rio de Janeiro. Em maio de 1978 é-lhe permitido regressar a Portugal. O almirante Américo de Deus Tomás efetuou várias visitas à Madeira, passando pelo palácio de São Lourenço em 17-23 jul. 1962, 8 set. e 16 out. 1963, na ida e no regresso da viagem a Angola; 30 ago. 1969, quando do seu regresso da visita aos Açores; a 16 jul. 1970, em viagem no Príncipe Perfeito, quando visitou várias estruturas hoteleiras em construção; em 18-21 set. 1971, chegando de avião e partindo no paquete Funchal; em 20-22 nov. 1972, novamente de avião, quando inaugurou o Sheraton e o Holiday Inn; e em 8-10 set. 1973 para inaugurar a aerogare do aeroporto do Funchal e o Hospital Distrital do Funchal. Voltaria a estar em São Lourenço, por outros motivos, em abril e maio de 1974.
    José das Neves Alves Marcello Caetano (Lisboa, 27 ago. 1906; Rio de Janeiro, 26 out. 1980). Licenciado em Direito em 1927 pela Universidade de Lisboa, foi o primeiro a doutorar-se na mesma Universidade na especialidade de Ciências Politico-Económicas (1931), vindo ali a ser reitor, entre 1959 e 1962. Vogal da União Nacional em 1932, integrara antes círculos políticos ligados aos monárquicos e à revista Ordem Nova, revista que se classificava anti-moderna, antiliberal e antidemocrática. Foi comissário da Mocidade Portuguesa, 1940 a 1944, ministro das Colónias, 1944 a 1947 e presidente da comissão executiva da União Nacional, 1955 a 1958. Sucedeu a Salazar, como ministro da Presidência e depois chefe do governo, entre 1968 e 1974. Afastado com o pronunciamento militar de 1974, veio a ser diretor do Instituto de Direito Comparado na Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro, onde faleceu.