Nossa Senhora da Piedade do Caniçal, oficina de José Ferreira Thedim (?), 1950 (c.), ilha da Madeira.
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Descrição
Nossa Senhora da Piedade do Caniçal.
Oficina de José Ferreira Thedim (?) (1892-1971), 1950 (c.)
Fotografia de Sílvio Mendes, setembro de 2019.
Cais do Caniçal, ilha da Madeira
Até à aluvião de 1803 a devoção dos marítimos da capitania de Machico estava relacionada com a imagem da capela da Piedade do Caniçal, levantada no alto do Monte Gordo, na Ponta de São Lourenço, associada então a pontuais romagens, contando-se alguns casos maravilhosos associados à imagem que se venerava nos finais do século XVII no altar. A capela foi alvo de saque por piratas marroquinos, sendo incendiada e, miraculosamente, o fogo não queimou o pequeno retábulo, somente o tendo enegrecido. As informações sobre romarias a esta capela dadas por Noronha referem ser frequentada por devotos e ter tido antigamente romagens, parecendo assim que, por 1720, tal já não ocorria. No entanto, pelos meados do século XX a devoção recrudesceu, sendo hoje das mais notáveis manifestações religiosas insulares, decorrendo a cerimónia entre o segundo e terceiro fim-de-semana de setembro, com procissão marítima levando a imagem da capela para a matriz do Caniçal, envolvendo então a deslocação de algumas dezenas de embarcações. A procissão tem lugar no sábado e os barcos partem do Caniçal em direção ao porto da Quinta do Lorde, sendo escolhido o barco para transportar a Santa através de sorteio, duas semanas antes da realização da festa. As embarcações param na Quinta do Lorde e os participantes continuam a procissão a pé até a capela, sendo as imagens de Nossa Senhora da Piedade, a pintura antiga e a mais moderna, das oficinas de Ferreira Thedim, então levadas de barco para a matriz do Caniçal para a celebração. No domingo seguinte é feita nova procissão de barco para devolver as Santas à sua capela.