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Arquipelago de Origem:
Flandres
Data da Peça:
1582-00-00
Data de Publicação:
06/11/2023
Autor:
Oficina flamenga (atr.)
Chegada ao Arquipélago:
2023-11-06
Proprietário da Peça:
Observatório Geofísico e Astronómico da Universidade de Coimbra
Proprietário da Imagem:
Universidade de Coimbra
Autor da Imagem:
Universidade de Coimbra
Nocturlábio, Flandres, 1582 (c.) a 1700 (c.), Observatório Geofísico e Astronómico da Universidade de Coimbra, Portugal

Categorias
    Descrição
    Nocturlábio
    Latão, 11,5 cm (diâmetro)
    Flandres (?), finais do século XVI, 1582 (c.) a 1700 (c.)
    Observatório Geofísico e Astronómico da Universidade de Coimbra (I-194), Coimbra, Portugal.
    Pub. in Os Portugueses no Golfo, 1507–1650, uma história interligada, The Portuguese in the Gulf, 1507–1650, an interlinked history, catálogo de exposição na Feira do Livro do Emirado de Sharjah, Emirados Árabes Unidos, 1–12 novembro 2023, com coordenação científica de José Pedro Paiva e Roger Lee de Jesus, apresentação/introdução de Ahmed Bin Rakkad Al Ameri, presidente da Sharjah Book Authority, Centro de História de Sociedade e Cultura da Universidade de Coimbra, Imprensa da Universidade, março de 2023, nº 9, pp. 32 a 34.

    O nocturlábio é um instrumento de duas faces. Servia de relógio de sol universal na face de astrolábio, obtendo a hora pela altura do sol ou relógio de lua com dados da outra face. Na face de nocturlábio a hora da noite pelas “guardas” da Ursa Menor no movimento à roda da estrela Polar. É um instrumento pequeno, com 11,5 cm de diâmetro, construído em latão (liga de 68% Cobre e 31% Zinco, conforme dados obtidos por fluorescência de raios-X para confirmar a liga metálica do astrolábio, por Francisco Gil, FCTUC) com argolas de suspensão, superior e inferior. Não apresenta marca do construtor e supõe-se ter sido fabricado na Flandres. A face de nocturlábio tem um círculo com os meses e os signos do zodíaco divididos em 30 graus e um ponteiro mais longo. Mostram a marcha anual do Sol pela eclíptica, o círculo imaginário do Sol ao longo de um ano, visto a partir da Terra. Permite saber o tempo entre a passagem meridional da Lua e do Sol. A constelação Aries no dia 21 de março, adota a correção gregoriana do calendário de 1582. Considera-se o seu fabrico de 1582 até ao final do século XVII. O orifício no centro é usado para observar a estrela Polar e rodar o ponteiro para o alinhar com a estrela Kochab, a mais avançada da Ursa Menor.
    Até ao início do século XX, em Portugal só se conhecia o astrolábio náutico do Observatório de Coimbra e astrolábios planisféricos. O professor de matemática da Universidade de Coimbra, Luciano Pereira da Silva (1864–1926) publicou estudos sobre astronomia náutica e o astrolábio português e adquiriu o nocturlábio à família do monge Gaspar da Encarnação Lobo, natural de Caminha. A Universidade de Coimbra adquiriu a biblioteca e o nocturlábio do Professor em março de 1929. No Museu de Marinha, em Lisboa, existe uma dezena de astrolábios náuticos portugueses obtidos após 1983 por ação de um dos seus mais relevantes diretores, António Estácio dos Reis (1923–2018). [Pedro J. E. Casaleiro]