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Arquipelago de Origem:
São Paulo (Brasil)
Data da Peça:
1990-00-00
Data de Publicação:
01/05/2021
Autor:
Escultor Songye da República Democrática do Congo
Chegada ao Arquipélago:
2021-05-01
Proprietário da Peça:
Museu Afro Brasil
Proprietário da Imagem:
Privado/Museu Afro Brasil
Autor da Imagem:
Privado
Nkisi Songye, 1990 (c.), República Democrática do Congo, módulo do trabalho e escravidão do Museu Afro Brasil, curadoria de Emanoel Araújo, São Paulo, 2018, Brasil.

Categorias
    Descrição
    Nkisi Songye.
    Madeira entalhada e policromada, com metais, tecido, peles, etc, 56,5 x 39,8 x 42,6 cm.
    Escultor Songye, República Democrática do Congo, 1990 (c.).
    Museu Afro Brasil. Um conceito em perspetiva, módulo o sagrado e o profano, museu com curadoria de Emanoel Alves de Araújo (Bahia, 1940-) inaugurado a 23 de outubro de 2004 pelo presidente Lula da Silva.
    Fotografia de 2018
    Avenida Pedro Álvares Cabral, Portão 10, Parque Ibirapuera, São Paulo, Brasil.

    Por preconceito e discriminação, estátuas e estatuetas, como a que vemos aqui, foram definidas como fetiche – ou “coisa feita”, “feitiço”. Mas não são, e esta estatueta vem nos transmitir o conhecimento destes grandes sábios que foram os escultores da antiga estatuária dos songye.
    Os songye, também chamados basonge, são um povo que vive na mesma região de origem há muitos séculos. Essa região está localizada hoje no sudeste da República Democrática do Congo (R D C), que surgiu como o país, que ele é hoje, só depois de muita luta contra o regime colonial na África central que durou de 1893 a 1960. Foi nesse período que grande parte das mais importantes esculturas dos songye foi destruída. Algumas delas foram levadas para museus europeus; outras ainda circulam entre grandes comerciantes de arte; mas, quase nada de suas produções do passado restou, nem para eles próprios. Como se vê pela “peruca”, pelas “saias” e outros “adornos” desta figura, a estatuária songye se caracteriza pelo acumulo de material animal, vegetal e mineral sobre a figura humana esculpida.
    Os songye conheciam as propriedades medicinais dos elementos da Natureza ali contidos (da madeira da estatueta a conchas trituradas); alguns eram simbólicos (a pena de um pássaro, pela sua raridade; a pele de um mamífero, pela sua rapidez). Eles tentavam conviver bem com as forças cósmicas e atmosféricas, observando o movimento dos astros, como os da lua, estabelecendo com isso um cronograma agrícola produtivo e isso estava diretamente associado a sua estatuária. Depois da lua crescente, cheia e minguante, quando da escuridão completa na lua nova, era em torno de suas estátuas que os songye comemoravam a fecundidade das mulheres, uma boa colheita e sucesso na caça, esperando sempre haver nova prole e farto alimento para todos.
    Certos estudiosos de hoje chamam-nas de “estátuas acumulativas” ou “de força”. Para os songye, elas foram símbolo da unidade e da perpetuação desse povo e são chamadas nkishi – o que quer dizer: “estátua de fertilidade da comunidade”.
    Marta Heloísa Leuba Salum (Lisy), professora doutora do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE/USP), Pub. in África em Artes, Juliana Ribeiro da Silva Bevilacqua e Renato de Araújo da Silva, São Paulo, Museu Afro Brasil, 2016, Brasil, p. 14.