Nave lateral da Epístola e a Transfiguração André Reinoso, 1640 (c.), igreja de Santa Maria de Óbidos, Portugal.
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Descrição
Nave lateral da Epístola e a Transfiguração André Reinoso
Óleo sobre tela.
André Reinoco (c. 1590-1650), 1640 (c.).
Azulejos de oficina de Lisboa, 1676
Fotografia do Turismo de Óbidos de 2020
Igreja de Santa Maria de Óbidos, Portugal.
André Reinoso (c. 1590-1650) Apesar de se conhecer já grande parte da obra pictórica deste grande mestre, a sua biografia é, no entanto, quase desconhecida, situação que não estranha o facto de ter nascido no seio de uma família de Cristãos-novos, em princípio, de Viseu. Foi, para o seu tempo, no entanto, um dos mais notáveis e bem sucedidos pintores. Discípulo do mestre tardomaneirista Simão Rodrigues (1560-1629) (fortemente influenciado pelas tendências artísticas de Roma), Reinoso cedo enveredou por caminhos estéticos diversos, devido a uma adivinhável mas mal estudada passagem por centros peninsulares. Apesar de Reinoso ser de uma geração anterior a Baltazar Gomes de Figueira (1604-1674), ambos desenvolveram toda uma experiência pictural cortando com os modelos do Maneirismo e adotando soluções naturalistas que, entretanto, outros grandes mestres peninsulares exploravam também com especial interesse, devendo aquele ser apontado como, verdadeiramente, o primeiro pintor barroco português.
O retábulo da igreja da Misericórdia só foi atribuído, numa segunda fase, a André Reinoso. Os motivos estão liminarmente expressos na documentação da época, quando o provedor João
Delgado refere que o retábulo fosse “ao moderno […] mais perfeito e fermozo, com mui grande magestade, e não com muitas columnas e muitos painéis pequenos […]” e só poderiam ser conseguidos por “pintor de fama que com espírito fizesse a dita pintura”. O resultado final esteve, certamente, à altura das expectativas dos mesários da Misericórdia. Composto por duas tábuas de grandes dimensões, instaladas em 1628, representando a Visitação a Nossa Senhora e um Pentecostes. Sobre o arco das capelas colaterais existem outras duas telas de André Reinoso representando Cristo a caminho do Calvário e a Lamentação sobre Cristo Morto. As antigas telas do convento capucho de São Miguel, hoje no Museu Municipal representando S. Francisco
de Assis e o Milagre da Porciúncula e outra Lamentação de Cristo Morto, são obras sublimes, de um finíssimo tratamento, ricas no tratamento cromático e composição das cenas, para além da força expressiva das figuras. Nas naves laterais da igreja de Santa Maria existem seis grandes telas de boa qualidade técnica, produção de oficinas de Lisboa (c. 1640), duas delas atribuídas por Vítor Serrão a André Reinoso: Transfiguração e Baptismo no rio Jordão.
A igreja de Santa Maria teria sido mesquita no período muçulmano e foi sagrada por D. Afonso Henriques (1109-1185) logo após a conquista da Vila, em 1148 e depois entregue a S. Teotónio (1082-1162), companheiro de D. Afonso Henriques e prior do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, mosteiro que teve depois o padroado até D. João III (1502-1557) o ter doado a sua mulher, a rainha D. Catarina de Áustria (1507-1578). O templo medieval fora profundamente reformado pela rainha D. Leonor (1458-1525) em finais do século XV, quando ali residiu com certa permanência, mas arrastando-se as obras pelo primeiro quartel do século XVI, tendo ficado dessa campanha a torre sineira, embora depois desmontada e de novo erguida e, de 1526-1528, já depois do falecimento de D. Leonor, o conjunto tumular de Nicolau Chanterene (1470-1551), que acolhe os restos do alcaide D. João de Noronha (1440-1525) e de sua mulher D. Isabel de Sousa. Com a doação a D. Catarina efetua-se a campanha de obras que constitui a configuração atual, com provável risco do arquiteto régio António Rodrigues (ca 1525-1590) (Pedro Flor, 2002). As novas obras iniciaram-se no dia 15 de agosto de 1571, dia da Assunção de Nossa Senhora, em que foi lançada a primeira pedra da nova igreja, com procissão e grande aparato religioso, prosseguindo as obras sob a proteção da Rainha. A estrutura retabular central da capela-mor é atribuída ao pintor João da Costa, com um ciclo de oito pinturas dedicadas a Virgem Maria e deve datar de 1622.