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Arquipelago de Origem:
Lisboa (cidade)
Data da Peça:
1994-00-00
Data de Publicação:
23/11/2025
Autor:
Martins Correia
Chegada ao Arquipélago:
2025-11-23
Proprietário da Peça:
Metropolitano de Lisboa
Proprietário da Imagem:
Privado
Autor da Imagem:
Privado
Mulheres de Trabalho, painel de azulejos de Joaquim Martins Correia, 1994, Estação do Metro de Picoas, Lisboa, Portugal.

Categorias
    Descrição
    Mulheres de Trabalho.
    Painel de azulejos do mestre Joaquim Martins Correia (1910-1999), 1994.
    Estação do Metro de Picoas, Lisboa, Portugal

    Joaquim Martins Correia (Golegã, 1910-1999) formou-se em Escultura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e iniciou a sua atividade como professor na década de trinta nas Caldas da Rainha, tendo sido docente na Escola Rafael Bordalo e revelou-se como artista em 1940, por ocasião da Exposição do Mundo Português. Foi membro do Conselho de Arte e Arqueologia da Câmara Municipal de Lisboa e vogal honorífico da Academia Nacional de Belas Artes de Lisboa. Na sua obra, as peças mais representativas são esculturas, as quais estão espalhadas por diversas cidades nacionais e estrangeiras, e por coleções públicas e particulares. Além da escultura, dedicou-se à pintura, ao desenho, à serigrafia e à azulejaria. Nesta área efetuou, já com uma idade bastante avançada, dois grandes projectos para painéis de azulejos em Lisboa: estação "Picoas", do Metropolitano de Lisboa e Torre Vasco da Gama, no Parque das. Nos anos 80, doou à Golegã o seu vasto espólio, o que deu origem ao Museu Martins Correia. Recebeu os prémios da Sociedade Nacional de Belas Artes, Academia de Belas Artes, Diário de Notícias e das ordens honoríficas destacam-se a Ordem de Instrução Pública - Grau Oficial e a Ordem de Santiago de Espada - Grau Oficial.
    Em 1994  foi o artista plástico convidado para as obras de remodelação e ampliação da estação  do Metropolitano de Lisboa. Martins Correia fundamentou a sua criação artística numa homenagem às mulheres de Lisboa. Ao longo das plataformas surgem painéis com temas ligados à cidade, sua simbologia e história. As figuras típicas da cidade, as Mulheres de Trabalho – vendedeiras, peixeiras de canastra à cabeça, vultos negros estilizados, numa atitude que pretende acentuar a sua dignidade e elegância. A heráldica da cidade de Lisboa, a barca com os corvos, a bandeira negra e branca da cidade, colunas romanas, tudo isto nos aparece para melhor identificar o cariz desta representação plástica. Também da autoria de Martins Correia foi colocada no átrio Norte acesso Nascente, num espaço dotado com encenação própria para melhor a realçar, uma estátua em bronze pintado que representa Pomona, deusa grega dos frutos e da abundância.
    No átrio Sul, acesso da Rua Andrade Corvo, oferecida pelo Metropolitano de Paris (RATP) e inserida num programa de intercâmbio cultural entre redes de metropolitano, foi instalada uma peça de mobiliário urbano, conhecida por acesso Guimard. Estes acessos foram criados no início do século por Hector Guimard (1867-1942), grande nome da Arte Nova, para ornamentar as entradas do Metropolitano de Paris. Esta é uma peça emblemática da Arte nos Metropolitanos e, quando surgiram, tiveram grande impacto na paisagem urbana parisiense. O estilo artístico em que foram construídas (a Arte Nova dava ainda os seus primeiros passos), não sendo conhecido da generalidade das pessoas, estas designavam-no por “Estilo Metro”. Hoje estas peças fazem parte integrante do património artístico parisiense, constituindo mesmo um “ex-libris” da cidade. Em 2024 o acesso Guimard foi alvo de um meticuloso processo de restauro integral, realizado inteiramente em Portugal. Esta intervenção permitiu devolver à cidade um dos seus mais emblemáticos elementos de Arte Nova, preservando a sua autenticidade e valor histórico. O restauro incluiu a desmontagem completa da estrutura, a recuperação e substituição de elementos danificados e a aplicação de técnicas especializadas para garantir a sua longevidade.