Mulher com cesto de adivinhação, escultor Luba de Angola (atr.), 1890 (c.), Museu Carlos Machado, Ponta Delgada, ilha de São Miguel.
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Descrição
Mulher com cesto de adivinhação.
Madeira entalhada e patinada.
Escultor Luba da Lunda de Angola (atr.), atelier do Mestre Mulongo (atr.), 1890 (c.).
Museu Carlos Machado, Ponta Delgada, ilha de São Miguel
Os séculos XVIII e XIX testemunharam uma florescente tradição escultórica Luba e Lunda, entre a atual área do Katanga do Congo e a Lunda de Angola, desenvolvida para identificar e glorificar o rei, os chefes e os oficiais titulados que constituíam a complexa hierarquia de liderança dentro do império Luba. Como muitos povos africanos, os Luba consideram seus reis como divinos, dotados de poderes sobrenaturais que podem influenciar o bem-estar social e a produtividade da terra. Como descendentes dos fundadores do império, os líderes Luba possuem bulopwe, sangue sagrado, que lhes permite governar e os autoriza a possuir determinadas regalias, como objetos de madeira esculpida, artigos de metal, contas, peles e penas, não acessíveis aos restantes. Os ritos de investidura real dos Luba concentram-se na transferência desses artigos de insígnia, considerados a personificação da própria essência da realeza. As formas escultóricas destes povos derivam de iniciais utensílios utilitários, como bastões em forma de remo, objetos que lembram a economia de caça e pesca dos Luba do passado, tal como imagens de oferendas e figuras de antepassados.
Os Luba ocupam um território situado na região sudoeste da atual República Democrática do Congo. As vários tribos Luba constituíram-se em reinos cujas cortes desenvolveram formas de arte particularmente requintadas. Esta peça representa uma mulher sentada, de pernas esticadas, com um recipiente de adivinhação. Estas esculturas integravam as cerimónias de entronização dos chefes, sendo usadas nos rituais de adivinhação que então decorriam. Embora não sendo aparente, as mulheres exerciam na sociedade Luba um papel político que se revestia de um caráter sagrado, intervinham na constituição das alianças, na tomada de decisões e nos rituais de entronização.
Atribuída ao Atelier do Mestre Mulongo, esta peça, pertencente à coleção de Etnografia Africana do Museu Carlos Machado, é ilustrativa do trabalho dos Luba orientais, trazido para a Europa no século XIX.