Gravura rupestre de Khatm Al Melaha de Kalba, 2020, Museu da cidade fortificada de Khorfakkan, emirado de Sharjah, Emirados Árabes Unidos.
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Descrição
Gravura rupestre de Khatm Al Melaha.
Bovídeo com uma tartaruga?
Khatam Malaha ou Khatm Milaha, Hafiya Moutain, de Kalba
Museu da cidade fortificada de Khorfakkan, Hisn Khorfakkan, inaugurado a 13 de abril de 2019
Fotografia de 2020
Antiga Corfacão, Khor Fakkan, Khorfakkan, emirado de Sharjah, Emirados Árabes Unidos.
A Khatum Melaha em Kalba e na divisória com o Sultanato de Omã, nos UAE, Emirados Árabes Unidos, apresenta uma enorme quantidade de gravuras rupestres, tal como recintos rituais com abundante espólio de conchas. As gravuras aparecem essencialmente na vertente nascente da montanha e nas encostas são ainda visíveis inúmeras tocas de raposas do deserto, embora pareça uma espécie já ali extinta ou muito rara.
A ocupação de Corfação, atual Khor Fakkan, em território hoje do emirado de Sharjah, tem uma longa história, havendo evidências de buracos para pilares de madeira das tradicionais cabanas barasti, chamadas arexe (areesh), similar àquelas encontradas Tel Abraque, que datam do III ao I milénio a.C.. Cerca de 1500, Duarte Barbosa (c. 1480-1521) descreveu Corfação como uma vila "em torno da qual há vários jardins e fazendas". A fortaleza portuguesa de Corfacão foi mandada levantada por Gaspar Pereira Leite, em 1620, numa altura em que se tentava cimentar a presença portuguesa no acesso ao golfo Pérsico, embora tivesse havido pontuais ocupações em 1507 e 1515, por exemplo. Teria uma forma triangular rematada por baluartes modernos, com os maiores muros com 26 metros. O interior da fortaleza teria uma torre artilhada e um poço. De acordo com a descrição de Manuel Godinho de Erédia (1563-1623), tinha um capitão e 24 soldados, todos lascarins, que custavam anualmente 204$000. Ao longo dos meados do século XVII, em princípio, foi acabando por ser abandonada, registando a tripulação do navio holandês Meerkat, em 1666, que tendo sido avistada, a descreveu no diário de bordo: Corfacan é um lugar em uma pequena baía, que tem cerca de 200 pequenas casas todas construídas a partir de ramos de palmeira, perto da praia. Tinha no lado norte uma fortaleza triangular portuguesa, da qual ainda se podem ver as ruínas desoladas. Na costa sul da baía, em um canto, há outra fortaleza em uma colina, mas não há guarnição nem artilharia sobre ela e também está em ruínas.
Teria sido a mais importante feitoria fortificada desta área, entre Mascate e Ormuz, subsistindo as estruturas da fortaleza central, com um muro na frente mar com posições para mosquete, uma muralha a envolver a povoação para poente e, pelo menos, 3 torres de vigias, de que ficou somente a Al-Rabi, com poço próprio. Articulava-se ainda com a pequena fortaleza de Mada, descrevendo-a o álbum de São Julião da Barra como: Duas léguas detrás de Corfacão está Mada, fabricada como se vê, duas léguas pela terra dentro, ao pé de uma serra, junto a uma ribeira muito fresca e de muitos palmares e árvores de frutas, junto a uma povoação de 300 vizinhos que ajudam a defender a fortaleza. Fez-la Mateus de Seabra no ano de 1624 por ordem do capitão geral Rui Freire, para defender a passagem que faziam os Arábicos, que assaltavam as fortalezas pela praia. Tem de presidio um capitão lascarim e 30 soldados. A descrição do local encaixa-se na antiga Najad Al Miqsar frente à cordilheira Hajar e sobre o vale do Wadi Rafisah, salvo na distância a Khorkakkan, que é hoje, por auto estrada, de 30 quilómetros e os textos portugueses dão por 1625 como duas léguas (10 km.). O conjunto da antiga povoação, entretanto, abandonado, foi reposto e adaptado a hotel aberto ao público em 2020.