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Arquipelago de Origem:
Câmara de Lobos
Data da Peça:
2020-10-08
Data de Publicação:
16/12/2020
Autor:
Mestre Bailhinha
Chegada ao Arquipélago:
2020-12-16
Proprietário da Peça:
Mestre Bailhinha
Proprietário da Imagem:
Rigo 23
Autor da Imagem:
Rigo 23
Mestre Bailhinha junto ao Xavelha em construção no Jardim do Ilhéu, outubro de 2020, Câmara de Lobos, ilha da Madeira

Categorias
    Descrição
    Mestre Bailhinha junto ao Xavelha em construção no Jardim do Ilhéu.
    Fotografia de Rigo 23 (n. 1966), 8 de outubro de 2020.
    Ilhéu de Câmara de Lobos, ilha da Madeira

    Rigo 23, Ricardo Gouveia (Madeira, 1966; -), um madeirense residente em São Francisco, é um artista urbano que faz das paredes a sua voz, pintando murais com consciência política, mas não só. Como tem referido: “Parte da minha prática artística tem sido inserir a voz do cidadão em lugares onde ela não pertence necessariamente. Por exemplo, pondo mensagens pessoais em veículos utilizados para cenários de trânsito”. Envolvendo-se com um contexto social e utilizando a linguagem da street art para suscitar reflexão, aproximando obras artísticas a ações de intervenção de cariz político ou reivindicativo muito fortes, o trabalho ativistas e político-cultural de Rigo caracteriza-se, assim, por uma sensibilidade especial para se integrar no contexto urbano, tendo desenvolvido um importante trabalho de denúncia da quebra dos direitos civis, tendo já uma obra substancial relacionada com as comunidades e os contextos culturais por onde viajou. Interfere na esfera pública e acredita que, ao atingir uma vasta audiência, as práticas artísticas podem transportar poderosas mensagens. Ao mesmo tempo obedece a uma consciência estética que lhe garante melhorar o espaço onde intervém, dando-lhe uma nova vida e até um certo embelezamento. Talvez pelo uso desta metodologia, o artista português que vive na América, se tenha tornado num dos mais relevantes nomes da cena artística de São Francisco, Califórnia e seja reconhecido internacionalmente.
    Em obras como "One Tree” (1996) numa rua de São Francisco, Rigo usa a linguagem da sinalética de trânsito a uma escala ampliada para evocar aquilo que podem ser consideradas as consequências diretas de um desenvolvimento urbano demasiado rápido, ou pouco criterioso. Uma seta gigante com as referidas palavras inscritas aponta uma árvore sozinha e frágil que luta pela sobrevivência na grande cidade. Em casos como este, o artista serve-se de metáforas. Num contexto mais abrangente, Rigo envolve-se com as lutas enfrentadas pelas comunidades com quem trabalha. Por vezes implicando viagens e estadias prolongadas, encontra-se registo destas intervenções na Madeira, na Suécia, EUA, ou até Taiwan.
    Quando em espaço museológico, Rigo acrescenta algumas camadas de interpretação, tornando a leitura mais complexa e rica. Em "Isto o povo não esquece”, a instalação apresentada no Museu de Serralves, na exposição "As Artes Cidadãos”, por exemplo, o artista dá-nos a visão pessoal de um acontecimento público.