Mesa da apresentação de "Encontro com a minha História" de Castro Carneiro, Casa do Alentejo, 6 de novembro de 2025, Lisboa, Portugal.
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Descrição
Mesa da apresentação de Encontro com a minha História de Castro Carneiro,
Cor. Nuno Santos Silva e major general Jorge Aires da Força Aérea
Casa do Alentejo, fotografia de João Carita, 6 de novembro de 2025,
Lisboa, Portugal.
José Adelino Mota e Castro Carneiro (Porto, ago. 1945-) entrou para a Academia Militar em 1946 e, em out. 1967 foi promovido a alferes e enviado para Angola, tendo sido colocado no Luvuei, tendo estado em Ninda, depois denominada de Cus de Judas (1979) pelo médico António Lobo Antunes (1949-), que ali esteve na companhia que era comandada pelo capitão Ernesto Augusto Melo Antunes (1933-1999). Carneiro, como capitão de set. 1970 voltaria a Angola, com 25 anos e seria colocado em M'Pozo, no Leste, tendo como chefe de estado maior do Sector o então já major Melo Antunes. Regressado ao continente, viria a aderir ao movimento dos capitães, tendo recebido como missão prender o coronel chefe de estado maior da RMN. Seria, depois, um dos derrotados do 25 de novembro, como escreve, vindo a ser colocado na Madeira, onde haveria de comandar a guarda-de-honra da abertura da Assembleia Regional da Madeira, a 19 de julho de 1976, ao brigadeiro Carlos de Azeredo (1930-2021), com o qual e várias vezes se defrontara no Porto. Em 19 de agosto de 2021, entretanto com certificado de 28 de setembro seguinte, foi condecorado pelo Presidente da República, em cerimónia restrita no antigo Picadeiro Real do Palácio de Belém e, também, antigo Museu Nacional dos Coches, com o grau de Grande-Oficial da Ordem da Liberdade, com outros militares com participação direta no 25 de abril de 1974.
O 25 de Novembro de 1975 é, assim, uma das peças fundamentais do seu livro de 2025. O autor considera-o o momento de viragem que levou à desvalorização dos militares e denuncia um processo de “desinformação” que, afirma, “pôs os militares de rastos”. Critica ainda a decisão da Assembleia da República de institucionalizar as comemorações da data, apontando a mudança de posição de Ramalho Eanes como um sinal de incoerência histórica. “Encontro com a minha História” surge, assim, como o legado de uma vida ligada à Causa de Abril e uma oportunidade para revisitar a memória do período revolucionário português. Ao cruzar vivências individuais com arquivos e correspondência oficial, Castro Carneiro convida o leitor a refletir sobre a forma como a Revolução e os seus protagonistas foram lembrados ao longo das décadas, destacando tensões, equívocos e decisões políticas que moldaram a interpretação pública desses acontecimentos. Este quase-livro, segundo Castro Carneiro, visa mostrar ao povo português o que foi o pós-25 de novembro. Assim, mais do que um relato pessoal, a obra funciona como um ponto de referência crucial para compreender a complexidade da transição portuguesa para a democracia e sublinha a importância de preservar os registos históricos desse período fundamental para o país.