Image
Arquipelago de Origem:
Congo - Angola
Data da Peça:
1970-00-00
Data de Publicação:
21/04/2021
Autor:
Escultor Yaka ou Baiaca
Chegada ao Arquipélago:
2021-04-21
Proprietário da Peça:
Manuel Castilho Antiguidades
Proprietário da Imagem:
Rui Carita/Manuel Castilho Antiguidades
Autor da Imagem:
Rui Carita
Máscara Yaka, 1970 (c.), Norte de Angola ou República Democrática do Congo

Categorias
    Descrição
    Máscara de Iniciação de Rapazes.
    Madeira esculpida e tela pintada com ráfia.
    Escultor Yaka ou Baiaca, 1970 (c.)
    Norte de Angola ou Congo.
    Fotografia de 13 de janeiro de 2021
    Coleção Manuel Castilho Antiguidades, Rua D. Pedro V, Lisboa, Portugal.

    As máscaras dos Yaka, ou Baiaca, como aparecem referidos pelos portugueses, são de uma grande diversidade e imaginação, apresentando por vezes, ou vice-versa, afinidades com os Suku, com os Mbala do centro do Congo, assim como com os Tchokwe do leste de Angola. Revelam, no entanto, uma espantosa riqueza, quase ímpar entre os seus vizinhos, com narizes altamente arrebitados e complicadas estruturas de coroamento.
    As máscaras das cerimónias de circuncisão dos Yakas, que marcam o final dos ritos de puberdade masculina, dividem-se em dois grandes grupos: um grupo destinado aos altos dignatários que presidem à cerimónia, com carácter sagrado e altamente condicionado pela tradição; e um grupo muito mais livre, destinado aos monitores da cerimónia, de carácter especialmente hierárquico, assim como aos tundansis, ou seja jovens circuncidados. Estas máscaras são em madeira, representando geralmente uma face humana, quase sempre com a mutilação dos dentes incisivos típica dos Yakas e pintada de forma agressiva, mas com todo um coroamento e penteado altamente imaginativo, por vezes em andares, simbolizando a categoria do portador, feito em tela e igualmente pintada, às vezes com motivos geométricos. Da máscara pende uma saia de ráfia, que esconde a identidade do portador.
    Os Yaka vivem nos planaltos de savana, a sudoeste da República Democrática do Congo e nordeste de Angola, próximos aos povos zombo, nkanu e suku. Esses povos, entre outros da África central, como os tchokwe, compartilham o mukanda, ritual de puberdade masculina. A participação nesse rito de passagem da adolescência para a vida adulta é tradicionalmente obrigatória para todos os rapazes, pois prepara-os espiritual e também fisicamente para as tarefas comunitárias que os aguardam quando se tornam adultos. No entanto, o domínio colonial na África, bem como a própria dinâmica desses povos contribuíram para que mais recentemente os rituais do mukanda fossem organizados apenas esporadicamente e, na maioria das vezes, em versão reduzida. A cerimônia de circuncisão precede o mukanda e é de grande importância para toda a comunidade, pois tem o papel de assegurar o poder de procriação da nova geração de jovens adultos. Após a circuncisão, os rapazes são levados para a área de iniciação. Essa nova etapa inclui a aprendizagem de certas aptidões manuais, de cantos, danças, bem como o acesso a conhecimentos restritos ao universo dos adultos. São os homens mais velhos já iniciados que educam, supervisionam e ditam as regras da vida no interior das áreas de iniciação (kimpasi).
    A maioria das máscaras Yaka são produzidas para serem usadas durante as cerimônias de encerramento do ritual mukanda. As máscaras asseguram o sucesso dessa fase crucial em que os rapazes renascem ritualmente. Elas são normalmente esculpidas em madeira de Magnólia, leve e macia, permitindo que o escultor trabalhe suavemente suas formas. Ao contrário de outros povos vizinhos, as máscaras yaka têm habitualmente uma face pequena e uma “gola” de ráfia comprida e cheia. A característica mais conhecida do estilo Yaca é o nariz arqueado e comprido. Na literatura etnológica, esse tipo de nariz é interpretado como símbolo fálico, mas também pode ter uso funcional, já que alguns estudiosos indicam que os iniciados tinham que morder um pedaço de pão de mandioca e de carne de carneiro colocados no nariz de uma máscara. A sua forma arqueada facilitaria, assim, essa tarefa.
    Pub. in África em Artes, Juliana Ribeiro da Silva Bevilacqua e Renato de Araújo da Silva, São Paulo, Museu Afro Brasil, 2016, Brasil, p. 12.