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Arquipelago de Origem:
Burkina Faso
Data da Peça:
1980-00-00
Data de Publicação:
03/05/2021
Autor:
Christopher D. Roy e escultor Bwa dos Bobo
Chegada ao Arquipélago:
2021-05-03
Proprietário da Peça:
Museu Afro Brasil
Proprietário da Imagem:
Christopher D. Roy/Museu Afro Brasil
Autor da Imagem:
Museu Afro Brasil
Máscaras Nwantantay dos Bwa, fotografia da década de 1980 (c.), Burquina Fasso, Museu Afro Brasil. Um conceito em perspetiva, curadoria de Emanoel Araújo, São Paulo, Brasil.

Categorias
    Descrição
    Máscaras Nwantantay dos Bwa.
    Madeira aparelhada e pintada.
    Escultor Bobo do grupo Bwa.
    Fotografia de Christopher D. Roy, 1980 (c.), Burkina Faso.
    Pub. in África em Artes, Juliana Ribeiro da Silva Bevilacqua e Renato de Araújo da Silva, São Paulo, Museu Afro Brasil, 2016, Brasil, p. 4.
    Museu Afro Brasil. Um conceito em perspetiva, módulo O sagrado e o profano, museu com curadoria de Emanoel Alves de Araújo (Bahia, 1940-) inaugurado a 23 de outubro de 2004 pelo presidente Lula da Silva.
    Avenida Pedro Álvares Cabral, Portão 10, Parque Ibirapuera, São Paulo, Brasil.

    Os Bobo vivem no sudoeste de Burkina Faso e geralmente se distinguem por quatro subgrupos: Bobo-fing, Mandaré, Gbe e Bwa (ou Oule). A sua cultura artística, entretanto, possui diversos pontos em comum. Para os Bwa, as máscaras atuam como intermediárias entre o reino dos homens (mundo cultural) e o reino da natureza (mundo selvagem). Para esses povos, o bom funcionamento do ciclo da vida depende intrinsecamente do uso da máscara placa em função da sua capacidade de restauração do equilíbrio e da harmonia entre os homens e as forças naturais. É comum na arte africana em geral que alguns elementos da natureza sejam representados artisticamente. No caso desta máscara Nwantantay dos Bwa, esses elementos tendem à síntese e à abstração, mas isso não nos impede de identificá-los com alguma segurança. Os padrões geométricos presentes no centro da máscara simbolizam a terra e a água. Na sua parte inferior, vemos a representação da cabeça de coruja, animal que, segundo alguns pesquisadores, teria a função de afastar os maus espíritos. Essa analogia provém da noção de que a coruja, sendo capaz de ver na obscuridade da noite, estimularia também o dom da clarividência. Da região acima da testa pende um bico em forma de gancho que faz alusão ao Calao-Grande (Bucorvus abyssinicus), pássaro cuja importância simbólica ultrapassa as fronteiras de Burkina Faso.
    Os ciclos lunares, que rementem à noção de mudanças e passagens, também estão sugeridos na contraposição entre as duas extremidades da obra. No alto da máscara vemos a representação de uma meia-lua que simboliza o crescimento e a abundância. Dessa interpretação se desdobra a noção de que o ciclo da lua teria influência sobre a fertilidade humana (abundância de filhos) e riqueza da terra (abundância de alimentos) e deve-se levar em conta que esses dois aspectos estão de algum modo relacionados. Essa máscara tem um contexto de uso variado. Ela pode ser dançada em ritos iniciáticos, agrários, fúnebres, mas também em dias de trocas comerciais (mercados). Essa associação entre ritos fúnebres e ritos agrários sugerida na máscara aparece em função dos ancestrais serem vistos como guardiões do sucesso na agricultura e protetores do bem-estar da sociedade. Pub. in África em Artes, Juliana Ribeiro da Silva Bevilacqua e Renato de Araújo da Silva, São Paulo, Museu Afro Brasil, 2016, Brasil, p. 32.