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Arquipelago de Origem:
São Miguel (Açores)
Data da Peça:
2001-00-00
Data de Publicação:
06/09/2021
Autor:
Ana Isabel de Sousa
Chegada ao Arquipélago:
2021-09-06
Proprietário da Peça:
Biblioteca Municipal do Nordeste, ilha de São Miguel
Proprietário da Imagem:
Biblioteca Municipal do Nordeste, ilha de São Miguel
Autor da Imagem:
Biblioteca Municipal do Nordeste, ilha de São Miguel
Maria Mendonça, uma mulher sem medo, Ana Isabel de Sousa, apresentação de Fátima Sequeira Dias, Ponta Delgada, 2001, ilha de São Miguel, Açores.

Categorias
    Descrição
    Ana Isabel de Sousa, Maria Mendonça, uma mulher sem medo, apresentação de Fátima Sequeira Dias, Ponta Delgada, 2001.
    (1916-1997) e
    Biblioteca Municipal do Nordeste, ilha de São Miguel, Açores.

    MARIA MENDONÇA (1916-1997)
    Notável jornalista e escritora, que desenvolveu múltiplas iniciativas com personalidades de renome e desafiadoras para o regime político da altura, tendo a sua criatividade pioneira deixado marcas em vários projetos culturais da Madeira apesar do controlo da censura e da Pide. Maria da Trindade de Mendonça era natural de Nordeste, Açores, onde nasceu a 16 de fevereiro de 1916. Era filha de Maria Raposo e de Manuel Franco de Mendonça e viveu a maior parte da sua vida no Funchal. Começou a escrever aos 16 anos de idade e foi correspondente de vários jornais portugueses. Primeiro como chefe de redação e depois como diretora, foi notável a sua passagem pelo jornal Eco do Funchal, desde 1951. Era de periodicidade semanal e Maria de Mendonça mudou-o para trissemanário e introduziu-lhe várias secções, sobretudo culturais e recreativas, tendo especial interesse: «Cultura & Recreio» e «A Canoa», organizada por Maria do Carmo Leite Monteiro Rodrigues (Funchal, 16 jul. 1924 - Prazeres, 5 maio 2014).
    A jornalista Maria Mendonça foi ainda diretora e proprietária do jornal satírico da Madeira, o Re-Nhau-Nhau (1929-1977). Durante 48 anos e em ambiente de apertada censura, este jornal chamou a atenção para inúmeras situações, quer ridículas quer penosas, que só assim puderam expor-se. Fundadora da primeira casa editora do arquipélago da Madeira, publicou obras valiosas como Arquipélago da Madeira – Maravilha Atlântica”, da autoria de Maria Lamas; Musa Insular, de Luís Marino; Falares da Ilha; Sé do Funchal; e a coleção de livros infantis A Canoa, com Maria do Carmo Rodrigues (1924-2014). Publicou também um guia turístico da Madeira, em várias línguas; e a revista turística Semana da Madeira, em colaboração com António Aragão Mendes Correia (1924-2008), Carlos Lélis (1936-) e Aníbal Trindade. Desenvolveu, assim, uma importante atividade cultural na Madeira, tendo-se também destacado na realização de encontros literários, tertúlias, principalmente na Livraria Pátio, à Rua da Carreira, sociedade que criou com o apoio e participação de Maria Lamas (Maria da Conceição Vassalo e Silva, 1893-1983), Natália Correia (1923-1993) e Vera Lagoa (Maria Armanda Falcão, 1917-1996), que teria, pontualmente, sido secretária do general Humberto Delgado (1906-1965), entre outras personalidades de renome e desafiadoras para o regime político da altura, causando o desagrado da censura e da Pide, organizando conferências e palestras de variada temática, e dinamizou exposições com artistas plásticos madeirenses, na Madeira e nos Açores. A esta sociedade, com sede na antiga Photographia Vicentes, se ficou a dever a aquisição do espólio/arquivo deste estúdio fotográfico, que corria o risco de dispersão. No continente português foi a primeira pessoa a apresentar obras de autores insulares na Feira do Livro de Lisboa, nos anos de 1954 e 1955. Faleceu na povoação de Nordeste, sua terra natal, na ilha de São Miguel, para onde se retirou no final da vida. Cf. Ana Isabel de Sousa, Maria Mendonça, uma mulher sem medo, apresentação de Fátima Sequeira Dias, Ponta Delgada, 2001.