Maria Eugénia de Afonseca Acciaiolly Rego Pereira
(1877-1947)
Indicação: "11.252, D. Eugénia Rego, Rua da Mouraria", sinal que vivia então no Funchal e registo de 25 de novembro de 1895.
Negativo em vidro, gelatina e sais de prata, 10,9 x 8,2 cm.
Museu de Fotografia da Madeira-Atelier Vicente's (inv. VIC/10146), em depósito na DRABL Funchal, ilha da Madeira
Maria Eugénia de Afonseca Acciaiolly Rego Pereira (Ponta de Sol, 1/5/1877, Funchal, 27/8/1947). Filha de Carlos Acciaiolly Rego, escrivão da fazenda pública e de Juliana de Afonseca Acciaiolly Rego, foi uma figura de vulto na sua época, notabilizando-se na área artística como poetisa, coreógrafa e dramaturga, tendo sido professora de danças de salão e folclóricas, lecionando a partir da sua residência à rua do Bispo e também no Colégio Lisbonense. Embora aqui registada como "D. Eugénia", somente se veio a casar com o primeiro-tenente da Armada João Higino Pereira (1875-1906) em 1900 e de quem teve dois filhos: uma menina que morreu muito nova e um rapaz, Carlos Rego Pereira, que viveu depois em Lisboa. Tendo enviuvado muito cedo, em 1906, em 1909 e para fazer face à educação dos filhos, montou o seu depois célebre salão de danças, à Rua do Bispo, por onde haveriam de passar gerações de madeirenses e onde se haveriam de ensaiar inúmeras peças musicais, récitas e um sem número de espetáculos depois montados em diversos locais. As suas coreografias e, muitas vezes, todo o espetáculo, inclusivamente os diálogos e as letras, definiram uma época. Tem vasta obra poética romântica, disseminada por diversas revistas, almanaques e periódicos regionais, como “Diário de Notícias”, “Diário da Madeira”, “Eco do Funchal” e “O Jornal”, assim como em periódicos de expressão nacional, “Revista Insular de Turismo” e “Ilustração Portuguesa”. Publicou o livro de poesia “Folhas Perdidas”, com ilustração de Henrique Franco (1883-1961) e está incluída na antologia poética de Nuno Catarino Cardoso “Ao Cair da Tarde”, Lisboa, 1917. Foi autora de várias operetas, comédias e revistas, que foram exibidas entre 1909 e 1944, no que é hoje o Teatro Municipal Baltazar Dias. Foi autora de várias operetas, comédias e revistas, que foram exibidas entre 1909 e 1944, no que é hoje o Teatro Municipal Baltazar Dias. Coreografou o filme “O Fauno das Montanhas” (1926), do realizador madeirense Manuel Luís Vieira (1885-1952). Funcionando o salão de D. Eugénia quase paredes-meias com o antigo Paço Episcopal, hoje Museu Diocesano de Arte Sacra, onde funcionava o Liceu, a partir de 1929, dado o volume de trabalho, passa a trabalhar ali também como ensaiador e coreógrafo, o antigo desenhador de bordados Henrique Martins (1904-1996), que estivera em Paris, entre 1924 e 1929, e que então regressara ao Funchal. O município da Ponta de Sol homenageou postumamente Eugénia Rego, a 29 de abril de 2011, a Imprensa Académica e a Câmara Municipal do Funchal reeditaram vários trabalhos literários seus, como Eugénia Rego Pereira, coleção Baltazar Dias, coordenação de Luísa Paolinelli e Cristina Trindade, com o apoio de Carlos Barradas e Cláudia Neves, Funchal, Imprensa Académica, novembro de 2020, ilha da Madeira e o investigador Danilo Fernandes, presidente do Grupo de Folclore e Etnográfico da Boa Nova, resgatou-a também na área da dança através do livro Maria Eugénia Rego Pereira - Professora de Danças Populares do Arquipélago da Madeira, lançado a 8 de maio de 2026 no Auditório do Arquivo e Biblioteca da Madeira, no Funchal.