Image
Arquipelago de Origem:
Planalto de Mueda
Data da Peça:
2020-02-22
Data de Publicação:
25/11/2020
Autor:
Governo de Moçambique
Chegada ao Arquipélago:
2020-11-25
Proprietário da Peça:
Governo de Moçambique
Proprietário da Imagem:
Governo de Moçambique
Autor da Imagem:
Governo de Moçambique
Mapiko, candidatura a Património Cultural Imaterial da Humanidade, Maputo, fevereiro de 2020, Moçambique.

Categorias
    Descrição
    Mapiko, Reportório de Valores e Tradições Culturais
    Candidatura do mapiko à Património Cultural Imaterial da Humanidade.
    Maputo, 22 de fevereiro de 2020
    Moçambique

    A escultura maconde é uma das artes moçambicanas de maior reconhecimento nacional e internacional por representar com arte os costumes de um povo através dos tempos. Moçambique, juntamente com a Tanzânia, deverá em breve submeter a candidatura do mapiko à Património Cultural Imaterial da Humanidade como forma de salvaguardar esta dança e música dos povos Makondes que é cada vez menos praticada pelos jovens na Província de Cabo Delgado. O desejo não é novo, contudo, um dos passos iniciais só agora foi dado com a sistematização em livro e CD das origens, história, evolução desta manifestação cultural que incontornável no ciclo vital do povo Makonde e que foram lançados em Maputo pela Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula.
    Embora seja um trabalho que herda do seu antecessor, a nova titular da Cultura e Turismo destacou a importância do trabalho que além de poder salvaguardar a dança mapiko visa, “a curto e médio prazos, assegurar que cada cidadão do Mundo, em qualquer lugar em que se encontre, possa também desfrutar e se deleitar desta preciosidade cultural”. “Por isso estamos empenhados em que possamos, conjuntamente com os nossos irmãos da Tanzânia, inscrever esta manifestação cultural na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade, como recomenda a Convenção da UNESCO, de 2003, sobre a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial. Entendemos que desta forma, estará assegurada a perenidade e sustentabilidade desta dança, para o usufruto das actuais e futuras gerações”, disse Eldevina Materula.
    Paradoxalmente o financiador desta pretensão de Moçambique é um país que em 2019 deixou de ser membro da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). A obra revela que inicialmente “a dança mapiko era praticada nos ritos de iniciação, likumbi, aspecto que corporiza a sua génese sócio-cultural. O surgimento da expressão mapiko para designar esta dança, parece estar também associada a outro acontecimento, xinantuala, que significa roubo de mulheres”. Com o tempo esta expressão cultural, cuja a denominação identifica a máscara, o dançarino mascarado e a música, passou a ser exibida aquando a celebração do primeiro ano após o desaparecimento físico de uma figura emblemática na comunidade.
    O estudo refere que devido ao “processo sócio-histórico caracterizado pela conjugação de influencias exógenas e endógenas contribuiu para a emergência de mudanças e rupturas na comunidade Makonde do Planalto de Mueda. Estas dinâmicas também fizeram-se sentir na prática da dança mapiko”. “(…) Nos tempo actuais, e com base na composição etária dos grupos analisados, verifica-se que o grau de adesão dos mais jovens tem diminuído. Assim, a maioria dos grupos de dança mapiko é composta por pessoas de idade relativamente avançada, o que contribui para a descontinuidade do processo de transmissão do conhecimento relacionado a essa expressão cultural”, conclui o documento que ainda não está disponível na internet. A dança e a escultura são as principais expressões culturais em Moçambique onde existem mais de 6 mil grupos de dançarinos, a maioria nas províncias de Niassa e de Cabo Delgado (Litoral Centro, Carlos Jardim, 25/02/2020).