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Arquipelago de Origem:
Câmara de Lobos
Data da Peça:
1853-00-00 00:00:00
Data de Publicação:
20150704
Autor:
J. Eckersberg
Chegada ao Arquipélago:
2004-06-03 00:00:00
Proprietário da Peça:
Casa-Museu Frederico de Freitas
Proprietário da Imagem:
DRAC
Autor da Imagem:
DRAC
Kabo Girão, 1853, Câmara de Lobos, ilha da Madeira

Categorias
  • Documentos
    • Gravura / litografia
  • Pintura
    • Gravura
Descrição
Kabo Girão
Desenho de J. Eckersberg, 1853;
Litografia a cores de Just Autry & Cia, Dusseldorf, 43 x 33,5 cm.
Casa Museu Frederico de Freitas, Funchal.

Johan-Fredrik Eckersberg nasceu em 1822, na Noruega na localidade de Drammen. Por razões de saúde, doença pulmonar, deslocou-se à Madeira em 1852. Havia sido aluno entre 1846-48, em Düsseldorf na Alemanha, de J. W Schrimer, sendo desde sempre notado pelo rigor do seu desenho, e vocação de paisagista. Após a sua estadia na Madeira voltou a Düsseldorf, provavelmente para completar os estudos, entre 1854-55. Regressou à Noruega natal, instalando-se na cidade de Cristiania, onde fundou uma escola de pintura. Morreu em 1870, em Sandviken, perto de Cristiania, onde trabalhara toda a vida. O álbum de Johan Eckersberg, Dirms in Madeira, foi editado entre 1853 e 1855. É o resultado de uma subscrição pública, que só após acumulação de 200 exemplares seria publicado.
A Casa-Museu Dr. Frederico de Freitas, no Funchal, possui um curioso folheto publicitário de divulgação deste álbum em que se afirma: A Series of ten views of the Island of Madeira, After paintings in oil by J. F. Eckersberg, e ainda que It is proposed to publish as soon as two hundred copies shall have been subscribed for. Estes folhetos circularam pela Europa, a fim de se conseguir o número suficiente de subscritores, os afirmados 200. Mais curiosa é a referência, After paintings in oil. Assim ficamos a saber que as gravuras foram realizadas a partir de pinturas a óleo, que permaneceram até aos dias de hoje desconhecidas. Exemplar da pintura Oitocentista com uma vista da baía de Câmara de Lobos, esta obra deve ter servido de base para a respectiva gravura, datada de 1853-55, e editada no acima referido álbum de Johan Eckersberg, sob o título Kabo Girão. Esta pintura é assim a primeira a ter paradeiro conhecido.
O processo de divulgação do álbum deve ter sido rápido, pela sua pronta edição entre 1853-55, tendo sido dedicado à rainha Josefina da Noruega e Suécia, irmã da ex-imperatriz do Brasil, com uma lista final de subscritores, que incluía, os reis de Portugal, a imperatriz do Brasil, a princesa de Joinville, os duque de Saldanha, Terceira, Palmela, ainda os condes de Carvalhal e Farrôbo, assim como o cônsul de Inglaterra na Madeira, George Stoddarth, entre muitos outros.
O Kabo Girão é assim o resultado de um contexto europeu de afirmação da natureza como novo critério estético, de um novo conceito para "o belo", que se identificava numa rigorosa discrição do lugar. Eckersberg, apresenta-nos uma paisagem luminosa, cuidando delicadamente valores tímbricos azuis, terras e amarelos. Assim o paisagismo de recorte romântico levará a ideia da natureza como argumento da pintura para a de pretexto pictórico, que tão bem definiram mais tarde os naturalistas de Barbizon. (Francisco Clode de Sousa) Pub. in Estampas, aguarelas e desenhos da Madeira Romântica, catálogo de exposição na casa Museu Frederico de Freitas, org. de Francisco Clode de Sousa, Julho a Dezembro de 1988, n. 136.