Jarra de faiança ou loiça de Alcobaça, olaria de Alcobaça, Raul Ferreira da Bernarda (?), 1950 a 1970 (c.), Alcobaça, Portugal
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Descrição
Jarra de faiança ou loiça de Alcobaça
Faiança pintada à mão, 1950 a 1960 (c.)
Fábrica Raul Ferreira da Bernarda (?), 1941 a 1963, 1950 (c.).
Ou Alcobaça Vestal, Fábrica de Faianças Artísticas de Alcobaça, 1947 a 2002, Vestiaria, 1960 a 1970 (c.)
Coleção particular, Portugal
A História da Loiça de Alcobaça encontra-se levantada por João da Bernarda, Porto, Edições ASA, 2ª edição (1.ª, 2001), 2002, onde nos dá uma visão particular dos percursos possíveis numa História da Cerâmica: o modo como se chega e se radica uma indústria cerâmica, as estratégias técnicas, estéticas e financeiras para a sua radicação, os seus protagonistas e o modo como se define a ideia de um grande centro produtor de cerâmica. João da Bernarda, também ceramista, industrial de cerâmica e colecionador, elucida-nos sobre esta arte, através de conhecimentos adquiridos por formação académica, afeto e responsabilidade familiar. Contém referência às fábricas: José dos Reis (1875-1898); Manuel Ferreira da Bernarda (1900-1920); Manuel Ferreira da Bernarda & Filhos (1920-1941); Olaria de Alcobaça (1927-1988); Raul Ferreira da Bernarda (1941-1963); Raul Ferreira da Bernarda & Filhos, Lda (1963-). Contém glossário e bibliografia.
A Alcobaça Vestal, Fábrica de Faianças Artísticas, Alcobaça, foi fundada em fevereiro de 1947 por António Branco, Joaquim Batista Branco, Veríssimo de Almeida e Acácio Bizarro. A sua primeira fornada Vestal ou Vistal, como também era denominada nos seus primeiros anos, teve lugar em 11 de julho do mesmo ano. Nessa data, eram pintores Leopoldo Machado, Noel Costa, Augusto Moreira, Joaquim Dias Marques e Mário Silva; Carlos Fernandes era oleiro rodista; Acácio Bizarro, o forneiro; Veríssimo de Almeida era fornista; o quador de barro era Manuel Clementino; eram aprendizes José Coelho e António Amado - 11 pessoas, no início. A sua produção destinava-se essencialmente ao mercado local e Lisboa. Entretanto, em 1948, a quota de Joaquim Batista Branco foi comprada por António Henriques Real. Uma vez que o novo sócio possuía já uma empresa de distribuição sediada na capital, a Vestal atingiu assim novos horizontes. Com efeito, após a I Feira das Indústrias, a fábrica projetou-se no mercado externo, tendo sido a Grã-Bretanha o primeiro foco. Até 1960, a "Vestal" desenvolveu-se atingindo cerca de 150 funcionários.
Pela Vestal passaram destacados pintores, além dos que estavam na data da fundação: Almeida Ribeiro, António José, Luís Cipriano da Silva, Luís Ferreira da Silva e Joaquim Pereira Assunção (conhecido por Marcos). Tal como a "Olaria de Alcobaça", também a "Vestal" fez imitações da louça antiga do Juncal, bem como dos pratos conhecidos por "aranhões". Em 1968, os seus antigos fornos artesanais foram substituídos por outros elétricos, que mecanizaram e aumentaram a produção - mas que tiraram de vez a cor genuína da louça regional. A Vestal Faianças de Alcobaça, Lda. encerrou as suas portas no início deste século, mais precisamente em 2002, pese embora só passados 9 anos foi considerada falida, a 9 de setembro de 2011. Pub. Valado dos Frades, Um século de fotos, blogue de Alberto Santos, José Fernando Ribeiro e outros.