Jacob Abudarham e filha Joana Sultana Abudarham, fotografia de Joaquim Augusto de Sousa, 1903 (c.), Funchal, ilha da Madeira
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Descrição
Jacob Abudarham e a filha Joana Sultana Abudarham num jardim
(1844-1903)
Negativo da coleção Joaquim Augusto de Sousa (1853-1905), 1903 (c.).
Acervo do Museu de Fotografia da Madeira Atelier Vicente's (DRABM).
Quinta de São Roque (?), Funchal, ilha da Madeira.
Jacob Abudarham (Funchal, 26 jun. 1844; Funchal, 9 set. 1903). Filho de José Abudarham e Clara Hadida, tinha nacionalidade francesa e veio a casar com Simy Buzaglo, de quem teve uma filha, Susana Abudarham da Câmara. Foi com o seu irmão Salomão Abudarham, os únicos que ficaram na Madeira, dando continuidade à firma Viúva Abudarham & Filhos. Faleceu na Quinta de São Roque.
Joana Sultana Buzaglo Abudarham Bettencourt da Câmara (Funchal, 18 mar. 1880; Funchal, 8 jan. 1976). Filha de Jacob Abudraham e Simy Buzaglo, casou a 31 de outubro de 1903 com o tenente-coronel António Bettencourt da Câmara (1879-1927), filho do tenente de Caçadores 12 José Joaquim Bettencourt da Câmara e de D. Maria Rita Jardim da Câmara, que frequentara o Real Colégio Militar e a Escola do Exército, e era então como alferes de Infantaria 27. Vindo a herdar os negócios do sogro, uma importante família de comerciantes judaicos franceses radicados no Funchal, teve ativo papel na Associação Comercial do Funchal, a partir de 1919 e, em 1926, após a instauração da Ditadura Militar é chamado à administração da Junta Geral, à qual preside no ano seguinte, mas falecendo pouco depois. Do casamento teve duas filhas.
Em 1880 nasceu, na casa familiar na Rua dos Ferreiros (mais tarde, Casa Tomászewski), no seio de uma família judia fixada na Madeira em tempos de seu avô José Abudarham. Dedicada ao comércio, a família prosperou, sendo uma das mais distintas da sociedade da época. Entre as amigas de Joana contavam-se as irmãs Sauvayre, Luzia e Laura Veridiana de Castro - uma elite de mulheres cultas e ricas, com intensa vida social. Tal como a mãe e a avó, preocupava-se com os mais desfavorecidos, sendo membro da Cruz Vermelha da Madeira, tendo acudido os feridos na Revolução de 1931. Com uma personalidade artística, participou com intuitos beneficentes em peças de teatro escritas por Matilde Sauvayre e também da organização de eventos diversos para apoiar causas como a Escola de Artes e Ofícios ou os mutilados da guerra. Aos 18 anos, conheceu António Nobre, que, impressionado, lhe dedicou alguns versos. Na Quinta de São Roque, para onde foi viver após a viuvez, reunia-se regularmente a intelectualidade do Funchal, em memoráveis saraus e tertúlias por si organizados. Faleceu aos 96 anos, em 1976, sendo a última pessoa a ser sepultada no cemitério israelita do Funchal. (Roteiro Mulheres do Funchal, n.º 9, 2020)