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Arquipelago de Origem:
Interior do Santuário de Nossa Senhora de Fátima do Pico do Galo, 1974 e 2019, Quinta Grande, ilha da Madeira
Data da Peça:
2019-05-00
Data de Publicação:
19/02/2022
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Interior do Santuário de Nossa Senhora de Fátima do Pico do Galo, 1974 e 2019, Quinta Grande, ilha da Madeira

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    Descrição
    Interior do Santuário de Nossa Senhora de Fátima do Pico do Galo.
    Reconstrução de 1974 e seguintes.
    Fotografia de Duarte Gomes/JM, maio de 2019.
    Pico do Galo, Quinta Grande, ilha da Madeira.

    Capela construída pelo padre Agostinho de Abreu Vieira (1913-c. 1959), esta ermida foi sagrada a 11 de outubro de 1931 pelo bispo D. António Manuel Pereira Ribeiro (1879-1957) perante a presença de cerca de quatro mil fiéis que por aqueles dias assinalavam também a derradeira aparição de Nossa Senhora aos pastorinhos de Fátima, ocorrida a 13 de outubro de 1913. Com 5 metros de comprimento e três de largura, o seu custo rondou os dez contos, suportados unicamente pelo padre, que também dirigiu a obra e nela trabalhou como qualquer operário. O padre Agostinho Abreu Vieira, nasceu na freguesia de Câmara de Lobos, no dia 30 de janeiro de 1901 e, aos 16 anos ingressa no seminário Diocesano do Funchal, onde cursa os preparativos. Em 1921 ingressa no Colégio das Missões e em 1927, aos 26 anos, é ordenado sacerdote. Em 1928 é nomeado missionário da Diocese de Cabo Verde, para onde parte em setembro do mesmo ano. Em abril de 1931, veio a Portugal e foi à Cova da Iria, em Fátima, onde prometeu erigir, no Cabo Girão, uma pequena ermida a Nossa Senhora de Fátima, patrona da Paz entre os Portugueses, se a Madeira, na altura, a braços com uma revolta de 1931, não sofresse grandes estragos materiais nem houvesse morticínios resultantes da guerra civil então desencadeada.
    Nos anos seguintes o projeto veio a criar problemas, colocando em causa as paróquias confinantes, face à afluência excecional de romeiros ao local e, acrescente-se, o espírito conflituoso e megalómano do padre Abreu Vieira. A vontade de transformar o local num importante centro de culto com pretensão de rivalizar com o Santuário de Fátima da Cova de Iria, patente num projeto megalómano de uma enorme igreja, de 1933 (c.), tal como a guerra que desenvolveu, em princípio, com a paróquia de São Sebastião de Câmara de Lobos, à qual deveria estar institucionalmente subordinado, levaram, primeiro, à passagem da administração da capela para a câmara eclesiástica, depois, ao encerramento da capela em março de 1934 e ao afastamento do padre da Madeira para o continente e, depois, provavelmente, para Cabo Verde. O padre Agostinho de Abreu Vieira deve ter falecido no final da segunda metade da década de 50, pois nos finais desses anos a capela de Nossa Senhora de Fátima reabriu, sob a jurisdição da paróquia de São Sebastião de Câmara de Lobos e assim continuou até 31 de dezembro de 1960, quando pela reformulação paroquial de D. frei David de Sousa (1911-2006), decreto de 24 dez. 1960, com execução a 1 jan. 1961, passou para a jurisdição da paróquia da Quinta Grande. Em 1974, com o padre naturalista e humanista Manuel de Nóbrega (1928-2017) como pároco da Quinta Grande, executou-se um novo projeto de ampliação, que incorporou no seu interior a fachada da inicial pequena capela, então benzida e, em 2018, objeto de melhoramentos vários, como o coroamento da torre sineira, mas somente dedicada por D. Nuno Brás da Silva Martins (Vimieiro, Lourinhã, 12 maio 1963-), a 8 de maio de 2019.
    Bibliografia: Manuel Pedro Freitas, “Pico do Galo e a Capela de Fátima”, in “Caminhos e Lugares do Concelho de Câmara de Lobos (10)”, Jornal da Madeira, Funchal, 8 fev. 1998, p. 12.