Inscrição do sagrado canhão português, Si Jagur, Manuel Tavares Bocarro (atr.), Macau, 1640 (c.), Museu Nacional da Indonésia, Jakarta, Indonésia
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Descrição
Inscrição do Canhão Sagrado português, Si Jagur.
Bronze, 384 cm.; cal. 39 cm.; peso: 3500 hgs.
Inscrição: EX ME IPSA RENATA SUM, o que significa “Eu renasci de mim própria” ou “Eu voltei a nascer a partir de mim própria” (leitura do prof. Telmo Corujo dos Reis, UMa).
Dá a entender que houve um primeiro canhão que, inutilizado por qualquer razão, foi tornado a fundir num segundo canhão. Para o azar não se repetir e para, desta vez, ter melhor sorte, fizeram-lhe uma figa.
Proveniente de Malaca, 1641.
Manuel Tavares Bocarro (Act. 1625 a 1652), mestre da Fundição de Macau (atr.), 1640 (c.)
Museu Nacional da Indonésia, Djakarta ou Jakarta, Indonésia.
Talvez a mais célebre peça portuguesa do Oriente seja o Si Jagur, ou Senhor da Fertilidade, hoje património nacional da Indonésia e no Museu Nacional de Djakarta, que foi tomado aos portugueses em 1641, na conquista de Malaca pelos holandeses. Esta boca-de-fogo tem sido atribuída, mas também contestada, embora sem especiais razões, a Manuel Tavares Bocarro (Act. 1625 a 1652), filho de Pedro Dias Bocarro (c. 1575-c. 1638), mestre das Fundições de Goa, que deve ter chegado a Macau em 1625, tendo sido o mais célebre fundidor do Oriente até 1652, fundindo inúmeras bocas de fogo, sinos e estátuas. A semelhança da decoração do Si Jagur com os exemplares do Museu Militar de Lisboa, quer no remate em figa, quer nos dragões que servem de asas, etc., indiciam o mesmo fundidor..